Commodities agrícolas acumulam desvalorização em reais na janela até maio
Entre 05/01/2026 e 08/05/2026, as três principais commodities agrícolas monitoradas pelo CEPEA registraram quedas expressivas em reais, movimento que ocorreu em paralelo
Entre 05/01/2026 e 08/05/2026, as três principais commodities agrícolas monitoradas pelo CEPEA registraram quedas expressivas em reais, movimento que ocorreu em paralelo à valorização de 9,85% do real frente ao dólar no mesmo período. O café arábica liderou o recuo com queda de 23,82%, seguido pela soja Paranaguá com variação negativa de 6,89% e pelo milho ESALQ com recuo de 4,90%. A intensidade da correlação entre cada produto e a PTAX, no entanto, variou significativamente.
A soja Paranaguá apresentou a maior correlação com o câmbio, com coeficiente de Pearson de 0,56 na janela de 85 dias úteis, indicando que o preço da oleaginosa caminhou na mesma direção da PTAX em diversos pregões. O milho ESALQ manteve correlação de 0,24 com a moeda americana, sugerindo menor alinhamento aos movimentos cambiais do que o observado na soja. Já o café arábica, apesar da queda mais acentuada, registrou correlação de apenas 0,14, sinalizando que o preço da commodity descolou do câmbio na maior parte dos dias úteis analisados.
A diferença nas correlações revela que cada commodity responde de forma distinta ao movimento cambial. A soja, produto de exportação intensiva com cotação internacional em dólar, tende a refletir mais diretamente as oscilações da PTAX no mercado interno. Quando o real se valoriza, o produtor recebe menos reais por saca exportada, o que pressiona os preços domésticos para baixo. O milho, com mercado mais voltado ao consumo interno e menor participação nas exportações, sofre influência cambial mais moderada. O café arábica, por sua vez, está sujeito a choques de oferta e demanda específicos da safra, como condições climáticas e estoques globais, fatores que podem sobrepor o efeito cambial.
A correlação de Pearson mede o grau de associação linear entre duas séries, variando de -1 (correlação negativa perfeita) a +1 (correlação positiva perfeita). Valores próximos de zero indicam ausência de relação linear. No caso das commodities agrícolas e da PTAX, correlações positivas sugerem que os preços em reais tendem a cair quando o real se valoriza, e vice-versa. A robustez estatística da correlação aumenta conforme o volume de observações cresce, e a janela de 85 dias úteis utilizada nesta análise oferece base suficiente para identificar tendências de médio prazo.
Os dados não permitem estabelecer uma relação de causa e efeito direta entre a valorização do real e a queda dos preços das commodities. O que os números indicam é uma convergência de movimentos no primeiro quadrimestre de 2026, onde a dinâmica cambial e os fundamentos do agronegócio resultaram em preços menores em reais para o produtor e para o mercado interno. O acompanhamento contínuo dessas séries permite observar como a sensibilidade de cada produto ao câmbio se ajusta em diferentes ciclos de mercado.
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