Gasolina mantém pressão de alta com defasagem em 12,4% ante paridade de importação
A defasagem entre o preço que a Petrobras cobra pela gasolina em refinaria e o custo de paridade de importação encerrou em
A defasagem entre o preço que a Petrobras cobra pela gasolina em refinaria e o custo de paridade de importação encerrou em 12,4% até 29 de junho de 2026, mantendo-se elevada pela quarta sessão consecutiva. Essa diferença sinaliza pressão de alta no combustível, já que quando o preço interno fica significativamente abaixo do que custaria importar gasolina, há espaço para reajuste. A defasagem média dos últimos 5 pregões ficou em 10,8%, enquanto a média de 15 pregões registrou 2,2%, mostrando que a pressão se intensificou nas últimas semanas.
A paridade de importação é calculada a partir de três fatores que se movem diariamente: o preço do barril de Brent no mercado internacional, a taxa de câmbio do dólar comercial e o mandato de mistura de etanol anidro que a legislação brasileira exige. O Brent fechou em US$ 71,59 por barril até 29 de junho de 2026, em queda de 22,9% nos últimos 30 dias. Simultaneamente, o dólar comercial (PTAX) está em R$ 5,1714, tendo subido 2,3% no mesmo período, ou seja, o real desvalorizou. Esse movimento do câmbio compensa a queda do petróleo: quando o dólar fica mais caro em reais, importar combustível também fica mais caro, mesmo que o barril custe menos em dólares.
Para entender a mecânica, imagine uma distribuidora que precisa decidir se compra gasolina da Petrobras ou importa diretamente. Ela pega o preço do Brent, converte pela PTAX, adiciona custos de frete e seguro, desconta o etanol anidro obrigatório na mistura, e chega ao custo de paridade. Se o preço da Petrobras estiver abaixo desse custo, a distribuidora compra da estatal. Se estiver acima, ela importa. A defasagem de 12,4% significa que o preço da Petrobras está 12,4% abaixo do custo de importação, criando margem para a estatal subir preços sem perder competitividade.
O mandato de mistura permanece em 30%, conforme a Resolução CNPE de junho de 2025, baseada na Lei 14.993 de 2024. Esse percentual de etanol anidro obrigatório na gasolina é parte da conta da paridade, já que o etanol tem preço próprio e afeta o custo final do combustível para o consumidor. Quando o etanol está caro, a paridade sobe, porque a gasolina pura importada precisa ser misturada com etanol mais caro. Quando o etanol está barato, a paridade cai. O mandato de 30% é o patamar mais alto permitido pela legislação atual, e qualquer mudança nesse percentual alteraria imediatamente o cálculo da defasagem.
Um ponto importante: existe divergência significativa entre a leitura interna do Elucidados e a metodologia da Abicom (Associação Brasileira do Setor de Combustíveis e Lubrificantes). A Abicom aponta defasagem de menos 56,0%, sugerindo que o preço da Petrobras está acima da paridade. A leitura do Elucidados, baseada no cruzamento de Brent, PTAX e preço de refinaria, aponta para 12,4% abaixo. A divergência de 68,4 pontos percentuais reflete metodologias radicalmente distintas. Ambas são válidas dentro de seus respectivos marcos: a Abicom usa uma abordagem que incorpora custos operacionais e margens comerciais de forma diferente, enquanto o Elucidados calcula a paridade pura a partir dos três componentes principais. A peça descreve o que a metodologia interna sinaliza, sem desqualificar a leitura alternativa.
Para que essa leitura de pressão de alta se sustente, é necessário que a defasagem permaneça acima de 8% por mais alguns pregões, que o Brent se mantenha acima de US$ 71,59, e que o dólar comercial continue na faixa entre R$ 5,07 e R$ 5,27. A Petrobras também precisa manter sua política de preços sem sinalizar mudanças em fato relevante à CVM, e não pode haver alteração nas alíquotas de ICMS sobre combustível decididas pelo Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária). Historicamente, defasagens acima de 10% sustentadas por mais de duas semanas precederam reajustes da Petrobras em 70% dos casos desde 2022, segundo levantamento do Elucidados a partir de dados públicos da estatal.
O cenário se inverteria se o Brent caísse abaixo de US$ 67,59 por três pregões seguidos, ou se o dólar comercial recuasse abaixo de R$ 5,02 de forma sustentada. Um comunicado do Confaz reduzindo a alíquota de ICMS ou um fato relevante da Petrobras sinalizando nova política de preços também invalidariam essa leitura imediatamente. A sensibilidade ao câmbio é alta: cada 1% de desvalorização do real adiciona cerca de 0,7 ponto percentual à defasagem, mantidos constantes Brent e mandato de mistura.
É importante declarar uma limitação: o modelo SENTINELA que orienta essa análise não está calibrado para quantificar probabilidade de reversão. A peça descreve o estado atual dos fatores de pressão e as condições que sustentam ou invalidam essa leitura, mas não oferece estimativa numérica de risco. O que o dado mostra é que, mantidas as condições presentes até 29 de junho de 2026, a pressão de alta no combustível persiste. Qualquer mudança material em Brent, câmbio ou política fiscal sobre combustível pode alterar esse quadro rapidamente.
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