Pular para o conteúdo
Mercados com IA

Quatro maiores bancos somam R$ 9,3 trilhões em ativos e mostram expansão desigual no crédito

Os quatro maiores conglomerados prudenciais do país, Itaú, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco, encerraram dezembro de 2025 com ativos

Os quatro maiores conglomerados prudenciais do país, Itaú, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco, encerraram dezembro de 2025 com ativos totais que somam R$ 9,3 trilhões. Os dados, extraídos do IF.data do Banco Central, referem-se aos conglomerados prudenciais, estrutura que consolida todas as operações de diversas unidades de negócio sob uma mesma moldura de risco, e não apenas às marcas comerciais isoladas. A série é trimestral e apresenta defasagem de aproximadamente um trimestre em relação ao período de referência.

O Itaú detém a maior fatia do ativo total entre os quatro, com 29,4% de participação, o que equivale a R$ 2,74 trilhões. O Banco do Brasil vem em seguida com 26,3% (R$ 2,45 trilhões), a Caixa com 23,8% (R$ 2,22 trilhões) e o Bradesco com 20,5% (R$ 1,91 trilhão). A distribuição reflete não apenas o tamanho das operações, mas também a natureza de cada instituição: bancos públicos como BB e Caixa carregam carteiras de crédito direcionado e programas sociais que inflam o balanço, enquanto privados como Itaú e Bradesco concentram operações de mercado e crédito corporativo.

No que tange à carteira de crédito, a Caixa lidera em volume absoluto com R$ 1,31 trilhão, reflexo direto de sua atuação no crédito imobiliário via recursos da poupança e do FGTS. O Itaú registra R$ 1,23 trilhão, seguido pelo Banco do Brasil com R$ 1,12 trilhão e pelo Bradesco com R$ 888,48 bilhões. A diferença entre liderança em ativo total e liderança em crédito mostra que a Caixa tem proporcionalmente mais crédito no balanço, enquanto o Itaú diversifica mais em tesouraria, mercado de capitais e operações estruturadas.

O Bradesco apresentou a maior variação anual na carteira de crédito, com alta de 34,9% nos 12 meses encerrados em dezembro de 2025. O movimento reflete recuperação após anos de retração e apetite renovado por crédito corporativo e consignado. O Itaú expandiu 30,2% no mesmo período, enquanto a Caixa cresceu 11,9% e o Banco do Brasil teve a menor expansão, com 9,0%. A diferença de ritmo sugere estratégias distintas: privados acelerando após ciclo de provisões elevadas, públicos mantendo cautela em ano eleitoral e fiscal apertado.

No lucro líquido acumulado no trimestre, a dispersão foi ainda maior. O Itaú registrou R$ 24,08 bilhões, alta de 20,7% em 12 meses, consolidando a liderança em rentabilidade absoluta. O Bradesco alcançou R$ 12,70 bilhões, crescimento de 42,2% no mesmo intervalo, o maior avanço percentual entre os quatro. O Banco do Brasil reportou R$ 8,19 bilhões, com variação negativa de 54,9% na comparação anual, movimento explicado por provisões extraordinárias e ajustes contábeis em subsidiárias no exterior. A Caixa obteve R$ 5,86 bilhões, alta de 10,6%, desempenho modesto mas estável dentro do padrão histórico da instituição.

O Índice de Basileia, que mede o capital próprio em relação aos ativos ponderados pelo risco, variou entre 15,13% no Banco do Brasil e 16,39% na Caixa. O Itaú registrou 15,18% e o Bradesco 15,78%. Todos os conglomerados citados mantêm seus indicadores acima do mínimo regulatório exigido pelo Banco Central, que é de 10,5% para o Índice de Basileia total. Vale notar que o índice funciona como piso regulatório de capital, não servindo como medida direta de saúde comparável entre as instituições, já que cada banco tem perfil de risco distinto: crédito imobiliário pesa menos que crédito corporativo sem garantia, operações de tesouraria têm ponderação diferente de empréstimos a pessoas físicas.

A expansão heterogênea fica evidente quando se observa a variação de 34,9% na carteira de crédito do Bradesco contra a queda de 54,9% no lucro líquido do Banco do Brasil em 12 meses. O primeiro movimento sinaliza retomada de apetite por risco após ciclo de limpeza de balanço. O segundo reflete ajustes pontuais que não necessariamente indicam deterioração estrutural, mas sim volatilidade contábil concentrada em trimestre específico. A análise dos dados consolidados permite observar a dimensão operacional de cada grupo, mantendo o foco na estrutura de risco prudencial reportada ao regulador, e não em narrativas de curto prazo sobre desempenho trimestral isolado.