Soja e milho 1ª safra recebem revisões positivas em abril enquanto chuva nos polos produtores segue acima da média recente
O milho de primeira safra recebeu a revisão mais expressiva do levantamento de abril/2026 do IBGE.
O milho de primeira safra recebeu a revisão mais expressiva do levantamento de abril/2026 do IBGE. O instituto elevou a estimativa em 1,30 ponto percentual no mês, chegando a 29,6 milhões de toneladas. A soja também avançou, com revisão de 0,21 ponto percentual para 174,1 milhões de toneladas. O milho de segunda safra, produto mais volumoso da safra de inverno e responsável por cerca de 78% da produção total de milho no país, recuou 0,45 ponto percentual para 108,5 milhões de toneladas, sinalizando cautela sobre a produção total de milho no ano.
O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) é o acompanhamento mensal que o IBGE faz da safra em andamento. Cada mês, conforme as plantas crescem e o clima se define, o instituto revisa suas estimativas com base em informações coletadas junto a técnicos agrícolas estaduais, cooperativas e órgãos de extensão rural. Uma revisão positiva significa que a safra está melhor do que se esperava no mês anterior, seja por condições climáticas favoráveis, seja por área plantada maior que a inicialmente estimada. Revisão negativa indica o contrário. Essas revisões só param quando a colheita termina e o número fica definitivo, o que para a soja ocorre tipicamente entre março e maio, e para o milho segunda safra entre junho e agosto.
A distribuição entre os produtos conta uma história de confiança parcial. Soja e milho primeira safra subiram, mas com magnitude leve. Milho segunda safra recuou, ainda que também de forma leve. Nenhuma das três revisões ultrapassa 1,5 ponto percentual, o que sugere que o IBGE está ajustando expectativas conforme a safra avança, sem grandes sobressaltos em nenhuma direção. A revisão positiva da soja reflete colheita em estágio avançado no Centro-Oeste e consolidação de produtividade acima da média histórica em Mato Grosso e Goiás. O milho primeira safra, cultivado principalmente no Sul do país entre setembro e dezembro, também confirmou boas condições de desenvolvimento. Já o milho segunda safra, plantado após a soja e ainda em fase vegetativa ou início de floração em abril, carrega maior incerteza climática, o que explica o ajuste negativo.
Os polos produtores do cinturão agro brasileiro acumularam 136,8 milímetros de chuva média nos últimos 30 dias até 01/04/2026. A distribuição foi desigual entre as regiões. Sorriso e Sinop, no norte mato-grossense, registraram 196,8 milímetros e 169,3 milímetros respectivamente, volumes robustos para o período de transição entre safra de verão e plantio de inverno. Rio Verde, no sudoeste goiano, acumulou 178,2 milímetros. Cascavel, no oeste paranaense, ficou com 101,9 milímetros. Passo Fundo, no norte do Rio Grande do Sul, e Dourados, no sul de Mato Grosso do Sul, foram os polos mais secos, com 99,1 milímetros e 75,4 milímetros. A chuva dos últimos 30 dias não tem comparativo com a janela equivalente de um ano atrás, que registrou 0,0 milímetro na média agregada, impedindo leitura clara de anomalia climática ano contra ano. Esse zero pode indicar falha de coleta ou ausência de dados históricos consolidados para a janela específica, não necessariamente seca absoluta.
Em paralelo a essas condições hídricas observadas até 01/04/2026, as revisões positivas de soja e milho primeira safra sugerem que os estimadores do IBGE incorporaram favorabilidade nas condições que precederam a colheita. A soja, em particular, se beneficia de chuvas regulares durante o enchimento de grãos, fase que ocorre entre janeiro e março no Centro-Oeste. O milho primeira safra, colhido entre fevereiro e abril no Sul, também responde bem a precipitação adequada no período de maturação. A ausência de eventos extremos, como estiagem prolongada ou chuva excessiva na colheita, sustenta as revisões para cima.
Os modelos meteorológicos agregados pelo Open-Meteo indicam expectativa de 32,0 milímetros de chuva média entre os polos nos próximos sete dias a partir de 01/04/2026, contra 17,4 milímetros observados nos sete dias imediatamente anteriores. A expectativa é de intensificação de 83,91 pontos percentuais na atividade convectiva. Passo Fundo e Dourados concentram a projeção mais robusta, com 43,8 milímetros e 50,9 milímetros respectivamente. Essa leitura é condicional, já que projeção meteorológica carrega incerteza inerente, especialmente em horizonte de sete dias. Modelos numéricos de previsão do tempo perdem acurácia conforme o prazo se alonga, e variações locais de relevo e cobertura vegetal podem alterar significativamente o volume precipitado em cada município.
Para o milho segunda safra, que ainda está em campo e depende de chuvas regulares entre abril e junho para garantir produtividade, a projeção de intensificação da precipitação nos próximos dias é relevante. Dourados e Passo Fundo, que estavam entre os polos mais secos na janela de 30 dias, devem receber volumes acima da média regional na semana seguinte, o que pode aliviar o estresse hídrico em lavouras locais. No entanto, a revisão negativa de 0,45 ponto percentual no LSPA de abril já reflete cautela do IBGE com a janela crítica que se aproxima. O milho segunda safra é mais sensível a variações tardias de clima porque seu ciclo coincide com o período de transição para o inverno, quando a frequência de chuvas tende a diminuir.
As revisões de abril refletem safra em andamento, com soja e milho primeira safra em trajetória ligeiramente melhor que o esperado um mês antes. Milho segunda safra, mais sensível a variações tardias de clima, recebeu ajuste negativo. O padrão não diz o que acontecerá nos próximos meses, apenas onde a safra estava quando o IBGE fez a contagem em março. A confirmação ou reversão dessas tendências dependerá dos levantamentos subsequentes, que incorporarão dados de colheita efetiva e condições climáticas dos meses seguintes.