Milho de segunda safra recebe revisão mais otimista enquanto chuva se concentra no sul
O milho de segunda safra ganhou a maior revisão positiva do mês no levantamento de maio/2026 do IBGE.
O milho de segunda safra ganhou a maior revisão positiva do mês no levantamento de maio/2026 do IBGE. A produção estimada subiu para 109,6 milhões de toneladas, uma revisão de 0,96% em relação ao mês anterior. Soja e milho de primeira safra também avançaram, mas em ritmo mais lento: soja chegou a 174,6 milhões de toneladas com revisão de 0,28%, enquanto o milho de primeira safra atingiu 29,8 milhões de toneladas com 0,51%.
O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do IBGE acompanha a safra mês a mês conforme ela avança no campo. Cada número publicado representa a expectativa atual de produção total do ano, refinada com base no que foi observado até aquele momento. Revisões positivas sucessivas, como as que aparecem neste mês, indicam que a safra está evoluindo melhor do que se esperava. Esses números só se tornam definitivos quando a colheita termina, geralmente no segundo semestre. O levantamento de maio/2026 foi divulgado na primeira semana de junho, com dados coletados ao longo do mês anterior, o que significa que as estimativas refletem condições de campo observadas há cerca de um mês.
A distribuição das revisões entre os produtos revela padrão interessante. O milho de segunda safra lidera o otimismo, seguido pelo milho de primeira safra e depois pela soja. Isso reflete estágios diferentes da safra: soja está em fase mais avançada de colheita em maio, enquanto o milho de segunda safra ainda se desenvolve no campo e oferece mais margem para revisão conforme o clima se desdobra nos meses seguintes. A segunda safra de milho, também chamada de safrinha, é plantada após a colheita da soja, geralmente entre fevereiro e março, e se desenvolve durante o outono e inverno brasileiros. Esse calendário torna a cultura especialmente sensível ao padrão de chuvas entre abril e junho, período em que o grão está em fase crítica de enchimento.
Nos polos produtores do cinturão agrícola brasileiro, a chuva acumulada nos últimos 30 dias até 01/05/2026 ficou em média de 98,6 milímetros entre as seis cidades monitoradas: Sorriso e Sinop em Mato Grosso, Cascavel no Paraná, Passo Fundo no Rio Grande do Sul, Dourados em Mato Grosso do Sul e Rio Verde em Goiás. A distribuição foi heterogênea: Cascavel recebeu 144,7 milímetros, enquanto Rio Verde ficou com apenas 52,2 milímetros. Sorriso e Sinop, capitais do agronegócio nacional, acumularam cerca de 85,0 milímetros cada. Sem série histórica de chuva da janela equivalente um ano atrás (o dado de chuva_polos_acum_1y_atras_30d_mm retornou 0,0 milímetros, indicando ausência de registro), não é possível avaliar se esse padrão representa déficit, normalidade ou excesso sazonal em relação ao ano anterior.
A próxima semana apresenta perspectiva climática desigual. Modelos meteorológicos projetam acumulado médio de 29,5 milímetros entre os polos nos próximos sete dias a partir de 01/05/2026, ligeiramente acima dos 27,1 milímetros observados nos sete dias anteriores, uma diferença de 8,86%. Porém, essa média mascara concentração geográfica acentuada: Cascavel e Passo Fundo devem receber chuva significativa (72,5 milímetros e 66,1 milímetros respectivamente), enquanto Sorriso, Sinop e Rio Verde praticamente não terão precipitação esperada. A incerteza inerente à projeção meteorológica cresce com o horizonte, e modelos podem divergir conforme novas rodadas de atualização chegam. Projeções de sete dias carregam margem de erro considerável, especialmente em regiões de clima continental como o Centro-Oeste brasileiro, onde sistemas frontais podem alterar rapidamente o padrão de precipitação.
Essa heterogeneidade climática pode impactar diferencialmente os produtos. A segunda safra de milho, que se desenvolve principalmente em maio e junho, responde mais sensível ao padrão de chuva neste período. Durante a fase de enchimento de grãos, que ocorre justamente entre abril e junho, a falta de água pode comprometer significativamente a produtividade final. Regiões como Sorriso e Sinop, que concentram grande parte da produção nacional de milho safrinha, dependem de chuvas regulares nessa janela para sustentar as estimativas otimistas do IBGE. A soja, em fase mais avançada de colheita em maio, sofre menos influência do clima imediato, já que a maior parte da safra já está definida no campo.
As revisões positivas do mês refletem o que o IBGE observou até agora. Como o clima segue desigual entre regiões, futuras rodadas de levantamento podem trazer novos ajustes conforme a safra avança. A concentração de chuva no sul (Cascavel e Passo Fundo) enquanto o centro-norte permanece seco é padrão que merece acompanhamento nos próximos levantamentos. Se a seca persistir em Mato Grosso e Goiás, as revisões de junho e julho podem moderar o otimismo atual. Por outro lado, se as chuvas retornarem às regiões centrais nas próximas semanas, a estimativa de 109,6 milhões de toneladas para o milho de segunda safra pode se confirmar ou até ser revisada para cima novamente.