Reservatórios do Norte e Nordeste operam acima de 93% da capacidade
Os níveis de energia armazenada no Sistema Interligado Nacional apresentam disparidade acentuada entre as regiões ao final de 02/06/2026.
Os níveis de energia armazenada no Sistema Interligado Nacional apresentam disparidade acentuada entre as regiões ao final de 02/06/2026. O subsistema Norte lidera a disponibilidade hídrica com 96,75% de sua capacidade máxima, seguido de perto pelo Nordeste, que registra 93,27%. Em patamares inferiores, o Sudeste/Centro-Oeste, região que concentra cerca de 70% da capacidade total de armazenamento do país, opera com 66,05%, enquanto o Sul apresenta o nível mais crítico, com 59,04%.
A heterogeneidade entre os subsistemas reflete as características de bacias hidrográficas distintas e regimes de chuva que operam em paralelo a cada localidade. O spread entre o subsistema mais cheio e o mais crítico atingiu 37,70 pontos percentuais na data de referência, um reflexo da distribuição desigual dos aportes hídricos recentes pelo território nacional. Essa amplitude é significativa porque revela que o sistema opera com margens de segurança muito diferentes conforme a região, o que exige do Operador Nacional do Sistema (ONS) uma gestão complexa de despacho de energia entre subsistemas.
O regime de chuvas nos últimos 30 dias, encerrado em 02/06/2026, mostra volumes expressivos em regiões específicas. O subsistema Norte acumulou 379,6 milímetros, enquanto o Nordeste registrou 212,4 milímetros. No Sul, o índice alcançou 136,5 milímetros, em contraste com o Sudeste/Centro-Oeste, que recebeu apenas 32,7 milímetros no mesmo período. Tais volumes estão em sintonia com a variação observada nos níveis dos reservatórios, que dependem diretamente do aporte hídrico para a recomposição de suas reservas.
A discrepância nos volumes de chuva explica por que o Norte e o Nordeste conseguem manter reservatórios próximos da capacidade máxima enquanto o Sudeste/Centro-Oeste e o Sul operam em patamares mais baixos. O Sudeste/Centro-Oeste, apesar de concentrar a maior parte da capacidade de armazenamento do país, recebeu menos de um décimo da precipitação registrada no Norte. Isso significa que a região mais populosa e industrializada do Brasil está operando com margem de segurança menor, o que aumenta a dependência de transferência de energia de outros subsistemas ou do acionamento de usinas termelétricas.
O nível de energia armazenada é um indicador fundamental para a gestão do sistema elétrico brasileiro. Reservatórios em patamares baixos reduzem a flexibilidade operacional e aumentam a necessidade de acionamento de usinas termelétricas, que possuem custo de geração mais elevado. Esse movimento, embora dependa de múltiplos fatores técnicos, exerce pressão sobre as bandeiras tarifárias e, consequentemente, sobre o custo da energia para o consumidor final, impactando indicadores como o IPCA energia.
Quando os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste operam abaixo de 70% da capacidade, o ONS tende a acionar térmicas movidas a gás natural ou óleo diesel para garantir o suprimento. Essas usinas têm custo variável unitário muito superior ao das hidrelétricas, e esse custo adicional é repassado ao consumidor por meio das bandeiras tarifárias. A bandeira amarela adiciona R$ 1,88 a cada 100 kWh consumidos, enquanto a vermelha patamar 2 adiciona R$ 7,87. Em períodos de estiagem prolongada, a conta de luz pode subir de forma significativa mesmo sem aumento nas tarifas base.
A situação atual, com Norte e Nordeste em níveis confortáveis e Sudeste/Centro-Oeste e Sul em patamares mais baixos, sugere que o sistema como um todo ainda opera com margem de segurança, mas a distribuição desigual exige atenção. Se o regime de chuvas no Sudeste/Centro-Oeste não se normalizar nos próximos meses, a pressão sobre as térmicas tende a aumentar, com reflexos diretos no custo da energia. O histórico mostra que períodos de estiagem no Sudeste/Centro-Oeste costumam coincidir com acionamento mais intenso de térmicas entre junho e setembro, meses tradicionalmente mais secos na região.
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