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Reservatórios do Sul atingem o nível mais crítico enquanto Norte transborda

Os níveis de energia armazenada no Sistema Interligado Nacional em 07/06/2026 revelam disparidade acentuada entre os quatro subsistemas.

Os níveis de energia armazenada no Sistema Interligado Nacional em 07/06/2026 revelam disparidade acentuada entre os quatro subsistemas. O Sudeste/Centro-Oeste, que concentra aproximadamente 70% da capacidade do SIN, opera em 65,81%. O Nordeste está em 92,59%. O Norte, praticamente cheio, marca 97,73%. O Sul, o mais crítico, está em 58,73%.

Gráfico
Energia armazenada do Sudeste/Centro-Oeste (% do máximo), últimos 365 dias
67,2058,1449,0840,03 65,81 08/11 17/01 28/03 07/06
Fonte. ONS

O spread entre o subsistema mais cheio e o mais crítico alcança 38,99 pontos percentuais. Essa heterogeneidade reflete bacias hidrográficas distintas e regimes de chuva profundamente desiguais. Cada região do país enfrenta dinâmica climática própria, e os reservatórios respondem a essa variação com defasagem de semanas ou meses. A energia armazenada, medida em percentual do máximo de cada subsistema, funciona como termômetro da segurança energética regional. Quando um reservatório opera abaixo de 60%, o Operador Nacional do Sistema costuma acionar usinas termelétricas para compensar a falta de água, operação que encarece a geração e pode pressionar a bandeira tarifária.

Nos últimos 30 dias, encerrados em 07/06/2026, o padrão de chuva reforçou essa disparidade. O Nordeste acumulou 241,3 milímetros, em sintonia com seus reservatórios cheios. O Norte, com 356,6 milímetros, apresentou a chuva mais intensa entre os subsistemas, alinhado com seu nível de 97,73%. O Sudeste/Centro-Oeste, região dominante do SIN, recebeu apenas 34,3 milímetros no mesmo período, o menor volume entre os quatro subsistemas, enquanto o Sul acumulou 120,4 milímetros. Esses dados de precipitação vêm do Open-Meteo, que calcula a média simples entre cidades cobertas em cada subsistema. A diferença entre 356,6 milímetros no Norte e 34,3 milímetros no Sudeste, uma relação de mais de dez vezes, explica por que os reservatórios divergem tanto mesmo dentro de um país com matriz predominantemente hidrelétrica.

Gráfico
Energia armazenada do Sul (% do máximo), últimos 365 dias
94,5272,7050,8829,06 58,73 08/11 17/01 28/03 07/06
Fonte. ONS

O Sudeste opera em zona de atenção. Um nível de 65,81% fica abaixo do patamar de conforto histórico, que costuma estar acima de 70% nesta época do ano. Essa posição reflete tanto a estiagem recente quanto a demanda elevada de energia na região mais industrializada do país. O Sudeste/Centro-Oeste responde por cerca de 70% da capacidade instalada de armazenamento do SIN, o que significa que qualquer queda acentuada nessa região tem impacto desproporcional na segurança energética nacional. Quando os reservatórios dessa região caem abaixo de 60%, o risco de acionamento térmico aumenta, e com ele o custo marginal de operação do sistema.

O Sul, com 58,73%, é o ponto mais frágil do sistema. Reservatórios baixos nessa região tendem a acionar usinas termelétricas com maior frequência, operação mais cara que a hidroeletricidade. O subsistema Sul tem menor capacidade de armazenamento que o Sudeste, mas sua posição crítica preocupa porque a região depende fortemente de hidrelétricas de fio d'água, que geram energia conforme a vazão dos rios, sem capacidade de regularização. Quando chove pouco, a geração cai imediatamente, e o sistema precisa importar energia de outras regiões ou acionar térmicas locais. A chuva de 120,4 milímetros nos últimos 30 dias não foi suficiente para reverter a trajetória de queda dos reservatórios, que vinham de meses anteriores com precipitação abaixo da média histórica.

Gráfico
Energia armazenada do Nordeste (% do máximo), últimos 365 dias
96,5379,0361,5344,02 92,59 08/11 17/01 28/03 07/06
Fonte. ONS

Quando reservatórios operam em níveis críticos, a geração térmica aumenta para compensar a falta de água. Essa mudança na composição da matriz energética tem implicações diretas na formação do custo da eletricidade. Usinas termelétricas queimam gás natural, carvão ou óleo diesel, combustíveis que custam mais por megawatt-hora gerado do que a água dos reservatórios. O custo marginal de operação do sistema sobe, e esse aumento pode acionar bandeiras tarifárias amarela ou vermelha, que repassam parte do custo adicional para a conta de luz do consumidor final. Em cenários de estiagem prolongada, o impacto pode chegar ao IPCA energia, componente do índice de inflação que mede a variação de preços de eletricidade residencial.

A trajetória dos próximos dias dependerá do regime de chuva que se estabelecer em cada bacia. Historicamente, junho marca o início do período seco no Sudeste e no Centro-Oeste, com recuperação dos reservatórios prevista apenas para outubro, quando começa a estação chuvosa. O Sul, por sua vez, tem regime de chuvas mais distribuído ao longo do ano, mas a variabilidade climática recente tem tornado as previsões menos confiáveis. Por enquanto, o padrão é claro: Norte e Nordeste em posição confortável, Sudeste e Sul em recuperação pendente. O ONS publica os níveis de energia armazenada diariamente, com defasagem de um dia útil, permitindo acompanhamento em tempo quase real da situação de cada subsistema.

Fonte. ONS · EAR Diário por Subsistema (dados.ons.org.br) Reportar erro