Diferencial de juros entre Brasil e EUA segue em patamar elevado
O diferencial de juros entre a Selic, em 14,50% ao ano conforme meta vigente em 22/05/2026, e a taxa básica americana (Fed
O diferencial de juros entre a Selic, em 14,50% ao ano conforme meta vigente em 22/05/2026, e a taxa básica americana (Fed Funds), de 3,64% ao ano em abril/2026, está em 10,86 pontos percentuais. O prêmio, calculado pelo Elucidados, situa-se próximo ao teto da oscilação observada nos últimos 61 meses, período em que o spread variou entre 3,44 e 12,04 pontos percentuais.
O carry trade é a estratégia de capturar esse diferencial de juros. O investidor toma empréstimo em dólares, a juros baixos, converte para reais e aplica em ativos brasileiros que rendem a Selic ou próximo dela. A diferença entre o que paga lá fora e o que recebe aqui é o ganho bruto da operação. Pela teoria clássica, um diferencial mais alto deveria atrair capital estrangeiro e fortalecer o real, reduzindo a taxa de câmbio. No entanto, a correlação estrutural de -0,08 entre o diferencial e a taxa de câmbio nos 61 meses pareados indica uma relação tênue entre a estratégia e o comportamento da moeda.
O regime atual é classificado como carry fraco, sugerindo que outros fatores exercem peso superior ao diferencial de juros na formação da taxa de câmbio. Risco-país, fluxo comercial, percepção fiscal e o cenário global pesam tanto ou mais que o prêmio de juros. Quando o investidor estrangeiro avalia se vale a pena entrar no Brasil, ele olha o diferencial, mas também olha a trajetória da dívida pública, a credibilidade do Banco Central, a volatilidade cambial e o apetite geral por risco nos mercados emergentes. Se qualquer um desses fatores deteriora, o carry perde atratividade mesmo com spread elevado.
É importante notar que o Fed Funds é um dado mensal e o diferencial é reconstruído mês a mês. A correlação mede co-movimento, não causalidade. O carry trade é um dos motores do câmbio, mas variáveis externas e domésticas também pesam na dinâmica da moeda. A correlação próxima de zero nos 61 meses indica que, em média, o diferencial de juros não explica sozinho a direção do real. Há períodos em que o spread sobe e o real se fortalece, e períodos em que o spread sobe e o real enfraquece, dependendo do que mais está acontecendo no cenário macro.
A taxa de câmbio fechou o pregão de 22/05/2026 em R$ 5,0137. No horizonte de curto prazo, o real cedeu 0,98% nos últimos 30 dias. Em janelas mais longas, a moeda apresentou valorização de 3,59% nos últimos 90 dias e de 6,98% nos últimos 180 dias. O dado mostra que, embora o prêmio de juros seja expressivo, ele não tem sido o motor determinante para a direção do real no mercado recente.
Para o investidor pessoa física, o diferencial elevado significa que aplicações atreladas à Selic continuam rendendo bem acima do que rende nos Estados Unidos, mas o ganho real depende do que acontece com o câmbio. Se o real desvalorizar mais que o diferencial de juros compensa, o carry vira prejuízo. Se o real se mantiver estável ou apreciar, o ganho é pleno. A correlação fraca entre spread e câmbio nos últimos cinco anos sugere que apostar no carry exige monitorar muito mais que a diferença de juros entre os dois países.