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Inflação com IA

IGP-M acelera em abril e sinaliza pressão de custos para o varejo

O IGP-M registrou alta de 2,73% em abril de 2026, conforme dados do IPEADATA, movimento que chama atenção pela aceleração na média

O IGP-M registrou alta de 2,73% em abril de 2026, conforme dados do IPEADATA, movimento que chama atenção pela aceleração na média móvel de curto prazo. A média dos três meses mais recentes atingiu 0,84%, contra 0,06% na média dos últimos doze meses. Essa diferença, que representa uma aceleração de 0,78 ponto percentual, indica aumento na pressão de custos no atacado que tende a preceder variações no IPCA.

O IGP-M é o Índice Geral de Preços do Mercado, calculado pela Fundação Getulio Vargas, e serve como termômetro da inflação no atacado. Sua composição inclui três subíndices: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por três quintos do peso total e mede custos industriais e agrícolas na ponta produtora; o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com três décimos do peso, que captura variação de preços no varejo das principais capitais; e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), com um décimo do peso, que acompanha materiais e mão de obra no setor de edificações. Essa composição dilui o sinal de custo industrial com componentes de varejo e construção, mas o IPA ainda domina o índice e dá o tom do movimento.

O IPCA cheio, medido pelo Banco Central até abril de 2026, apresentou variação mensal de 0,67%. Quando observamos a média trimestral do índice, o patamar de 0,75% supera a média de 0,36% registrada nos últimos doze meses, sinalizando trajetória de inflação mais elevada ao consumidor final. A diferença entre as médias de curto e longo prazo no IPCA é menor que a observada no IGP-M, mas aponta na mesma direção: aceleração recente.

O repasse de custos do atacado para o varejo costuma ocorrer com defasagem de 30 a 60 dias em itens como alimentos e bens industriais. O regime atual, classificado como atacado acelerando, sinaliza que a pressão observada na ponta produtora tende a chegar ao bolso do consumidor nos próximos meses, caso as margens do varejo não absorvam o impacto. Historicamente, quando o IGP-M acelera em ritmo superior ao IPCA, o varejo enfrenta duas escolhas: repassar o custo ao preço final, o que pressiona a inflação ao consumidor, ou comprimir margens, o que afeta a rentabilidade das empresas. A escolha depende da elasticidade da demanda e do poder de barganha de cada setor.

Vale notar que o pass-through, termo que descreve o repasse de custos entre elos da cadeia produtiva, não é mecânico. Depende de condições de demanda, nível de estoques, câmbio e ausência de choques em monitorados ou safras agrícolas. Sem esses eventos, o histórico sugere que o movimento do atacado tende a encontrar reflexo no IPCA em breve. A leitura atual indica que o varejo está operando em ambiente de custo crescente, e a manutenção desse padrão por mais um ou dois meses tornaria o repasse ao consumidor mais provável.

O IPP do IBGE, Índice de Preços ao Produtor, seria uma métrica mais refinada para medir custos industriais, pois captura preços na saída da fábrica sem incluir impostos e margens de distribuição. No entanto, o IPP ainda não possui histórico suficiente para uma análise de longo prazo, com série iniciada apenas em 2014 e revisões metodológicas recentes. Por ora, o acompanhamento do IGP-M segue como a proxy disponível para antecipar movimentos de custo, sempre considerando que a composição mista do índice exige leitura cuidadosa. A aceleração de 0,78 ponto percentual observada em abril de 2026 está entre as maiores dos últimos dois anos, e merece atenção de quem acompanha inflação e política monetária.