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Inflação com IA

IGP-M acelera para 2,73% em abril e pressiona custos no atacado

O IGP-M registrou alta de 2,73% em abril de 2026, superando em mais de três vezes a média de 0,84% observada nos

O IGP-M registrou alta de 2,73% em abril de 2026, superando em mais de três vezes a média de 0,84% observada nos últimos três meses. O IPCA, índice oficial de inflação ao consumidor, marcou 0,67% no mesmo período, mantendo média trimestral de 0,75%. A aceleração do IGP-M, que possui forte peso de preços no atacado e construção civil, sinaliza pressão sobre os custos de produção que costuma transitar para o varejo com defasagem.

O IGP-M é composto por três subíndices com pesos distintos. O IPA, Índice de Preços ao Produtor Amplo, responde por 60% do índice geral e capta variações no atacado, incluindo commodities agrícolas, minerais e produtos industriais. O IPC, Índice de Preços ao Consumidor, tem peso de 30% e mede o varejo em sete capitais. O INCC, Índice Nacional de Custo da Construção, completa os 10% restantes e reflete materiais de construção e mão de obra no setor. Essa composição torna o IGP-M mais sensível a choques cambiais e de commodities do que o IPCA, que tem cesta voltada ao consumo das famílias e abrange todo o território nacional.

O ritmo recente do IGP-M, com média de três meses em 0,84% frente a uma média de 12 meses de 0,06%, classifica o movimento como acelerando. Essa diferença de 0,78 ponto percentual entre as janelas sugere uma pressão de custos que, se mantida, tende a ser absorvida pelos preços ao consumidor nos próximos meses, dependendo da capacidade de repasse dos setores. A magnitude da aceleração chama atenção porque a média de 12 meses estava praticamente estável, indicando que o choque é recente e concentrado.

O cálculo do Elucidados sobre os últimos 60 meses mostra que a correlação entre o IGP-M e o IPCA é de 0,41, atingindo seu pico com defasagem de zero mês nesta janela. Isso indica que, embora o IGP-M seja frequentemente citado como indicador antecedente da inflação ao consumidor, o co-movimento entre os índices é mais imediato do que uma relação de causa e efeito com longo intervalo temporal. A correlação de 0,41 é moderada, não forte, o que reflete o fato de que os dois índices captam cestas e dinâmicas distintas. O IGP-M responde mais rápido a variações cambiais e de commodities globais, enquanto o IPCA embute rigidez de serviços e preços administrados.

Vale notar que o IGP-M apresenta volatilidade superior ao IPCA devido à exposição direta ao câmbio e commodities. A correlação medida reflete o co-movimento estatístico entre as séries, não um repasse mecânico ou automático de preços entre atacado e varejo. Setores com maior poder de precificação conseguem repassar custos mais rapidamente, enquanto outros absorvem parte da pressão na margem. O IGP-M de 2,73% refere-se ao dado de abril de 2026, enquanto o IPCA de 0,67% corresponde ao mesmo período.

Para quem tem contratos indexados ao IGP-M, como aluguéis comerciais e alguns títulos de dívida, a aceleração do índice representa aumento imediato de custos. Para o consumidor final, a pressão tende a aparecer de forma diluída e com atraso, conforme os setores decidem repassar ou não os custos adicionais. A diferença entre os dois índices no mês de abril, de 2,06 pontos percentuais, é uma das maiores observadas em janelas recentes e reforça a tese de que o choque está concentrado no atacado, ainda não plenamente transmitido ao varejo.