Etanol está 1,6 ponto percentual abaixo do ponto de equilíbrio energético
Na semana encerrada em 15 de maio de 2026, o etanol hidratado custava em média R$ 4,70 por litro nas bombas brasileiras,
Na semana encerrada em 15 de maio de 2026, o etanol hidratado custava em média R$ 4,70 por litro nas bombas brasileiras, enquanto a gasolina comum estava a R$ 6,88. A razão entre os dois preços ficou em 68,4%, o que significa que o etanol custa pouco mais de dois terços do que se paga pela gasolina. Esse patamar fica 1,6 ponto percentual abaixo do limite de 70%, a linha que separa quando vale a pena abastecer com etanol de quando a gasolina oferece melhor retorno para quem tem carro flex.
A regra dos 70% existe porque o etanol rende aproximadamente 70% da energia que a gasolina entrega por litro em um motor flex. Quando o preço relativo do etanol cai abaixo desse patamar, o custo por quilômetro rodado tende a ser menor com etanol do que com gasolina. Acima de 70%, o inverso ocorre: a gasolina passa a oferecer mais quilômetros por real gasto. O ponto exato varia conforme o veículo específico, o estado de manutenção do motor e o estilo de condução do motorista, mas 70% funciona como uma média confiável para a maioria dos casos. Essa relação vem do fato de que o etanol possui menor densidade energética que a gasolina, o que significa que um litro de etanol libera menos energia na combustão. Em termos práticos, um carro flex percorre cerca de 30% menos quilômetros com um litro de etanol do que percorreria com um litro de gasolina, tudo o mais constante.
O dado que o Elucidados publica aqui é a média nacional calculada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) a partir de levantamentos semanais em revendas espalhadas pelo país. A ANP coleta preços em postos de todas as regiões e calcula a média ponderada, que serve como referência para o mercado. Essa média, porém, esconde variações significativas entre os estados. O etanol é mais barato nas regiões próximas às usinas do Centro-Sul, onde a produção se concentra e a logística é mais eficiente. São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná, estados com forte presença de canaviais e usinas, costumam apresentar preços abaixo da média nacional. Em estados distantes, como os do Norte e Nordeste, o custo de transporte eleva o preço na bomba, já que o etanol precisa ser levado por caminhão-tanque ou barcaça por milhares de quilômetros.
Além da geografia, cada estado cobra uma alíquota diferente de ICMS sobre combustíveis, o que altera a conta final para o consumidor. O ICMS é o principal tributo embutido no preço dos combustíveis no Brasil, e sua alíquota varia de estado para estado, podendo chegar a mais de 30% do preço final em alguns casos. Uma paridade de 68,4% na média nacional pode significar 65% em São Paulo, onde o etanol é abundante e o ICMS relativamente controlado, e 72% ou mais no Amazonas, onde o etanol chega caro e a tributação é diferente. Para quem abastece em regiões onde o etanol é particularmente barato, a vantagem é ainda maior. Para quem vive longe das usinas, a margem pode ser menor ou até desaparecer, tornando a gasolina a escolha mais econômica mesmo com a média nacional favorável ao etanol.
A leitura estadual dessa relação fica pendente até que a ANP destrabe a série regional de preços de forma sistemática e acessível. Enquanto isso, a média nacional funciona como referência, mas com a ressalva clara de que a realidade na bomba varia bastante conforme o local. O motorista que quer otimizar o gasto precisa consultar os preços praticados na sua região, não apenas a média do país.
Além da geografia e da tributação, o rendimento real do etanol também depende de fatores do veículo e do motorista. Um carro bem mantido, com motor calibrado, velas em bom estado e injeção eletrônica funcionando corretamente, aproveita melhor a energia do etanol. Um motor gasto, com problemas de compressão ou sistema de injeção desregulado, pode render menos do que o esperado, ampliando a diferença de consumo em relação à gasolina. Motoristas que aceleram bruscamente, mantêm rotações altas e dirigem de forma agressiva consomem mais combustível, qualquer que seja a escolha. Essas variáveis individuais fazem com que a regra dos 70% seja uma orientação, não uma garantia absoluta. Na prática, o rendimento pode variar entre 65% e 75% dependendo do conjunto de fatores em jogo.
Na semana de 15 de maio de 2026, a paridade de 68,4% coloca o etanol em zona confortável para quem tem carro flex. A margem de 1,6 ponto percentual abaixo do ponto de equilíbrio não é acentuada, mas é suficiente para que o etanol compense na maioria dos cenários. Essa leitura descreve o que está acontecendo agora nas bombas brasileiras, sem afirmar para onde a relação de preços vai seguir nas próximas semanas. O preço do etanol tende a oscilar conforme a safra de cana-de-açúcar, que se concentra entre abril e novembro no Centro-Sul, e conforme a demanda por açúcar no mercado internacional, já que as usinas podem direcionar a cana para produção de etanol ou açúcar dependendo da rentabilidade de cada produto. A gasolina, por sua vez, segue a política de preços da Petrobras e as oscilações do petróleo no mercado internacional, além de sofrer impacto das alíquotas de ICMS estaduais.