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Inflação com IA

Defasagem da gasolina frente ao preço internacional recua para 33,9%

A defasagem do preço da gasolina nas refinarias brasileiras em relação ao custo de paridade de importação encerrou o pregão em 33,9%,

A defasagem do preço da gasolina nas refinarias brasileiras em relação ao custo de paridade de importação encerrou o pregão em 33,9%, conforme cálculo próprio do Elucidados que integra cotações do petróleo Brent, taxa de câmbio e preços de refinaria da Petrobras até 18/05/2026. A média móvel de cinco dias, situada em 31,2%, indica que o patamar atual de descolamento está em linha com a tendência recente observada na última semana.

A defasagem mede quanto o preço praticado pela Petrobras nas refinarias está abaixo do custo teórico de importar gasolina pronta do mercado internacional, considerando o preço do petróleo Brent, a taxa de câmbio, os custos de frete e refino, e a tributação aplicável. Quando a defasagem é negativa, como agora, significa que a estatal vende combustível mais barato do que custaria importá-lo. Quanto maior o número negativo, maior a pressão potencial para reajuste de preços, embora a Petrobras não siga automaticamente a paridade internacional em sua política de preços.

O cenário atual é sustentado pelo Brent cotado a US$ 116,73 por barril, com alta de 18,4% nos últimos 30 dias, e pelo dólar comercial em R$ 5,01, que acumula valorização de 0,8% no mesmo período. A combinação de petróleo em trajetória ascendente com câmbio relativamente estável amplia o custo teórico de importação, mas a Petrobras tem mantido seus preços de refinaria sem alterações significativas, o que explica a defasagem persistente.

A política de preços da estatal, conhecida como Custo Privado Próprio, não replica automaticamente as oscilações diárias do mercado internacional. A companhia considera sua estrutura de custos, a competitividade do mercado doméstico, e a volatilidade cambial antes de promover reajustes. Historicamente, defasagens superiores a 40% em janelas prolongadas têm precedido movimentos de alta nos preços de refinaria, mas o patamar atual de 33,9% ainda não configura pressão imediata para intervenção.

A média móvel de 15 dias, em 31,0%, reforça que a defasagem tem se mantido relativamente estável na faixa dos 30% ao longo das últimas três semanas, sugerindo que tanto o Brent quanto o câmbio têm oscilado dentro de margens que não alteram drasticamente a equação de custos. Para que o cenário mudasse de forma relevante, seria necessário que o petróleo Brent recuasse abaixo de US$ 112,73 por três pregões consecutivos ou que o dólar comercial sustentasse patamar inferior a R$ 4,86 pelo mesmo período. Esses limiares representam quedas de aproximadamente 3,4% no Brent e 3,0% no câmbio, movimentos que reduziriam o custo de paridade e, consequentemente, a defasagem.

Outro fator relevante é a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, atualmente fixada em 27% pela legislação federal. Essa mistura reduz a dependência do combustível fóssil importado e funciona como amortecedor parcial das oscilações do petróleo, embora não elimine a exposição ao Brent. Mudanças na alíquota de mistura ou na tributação estadual do ICMS, que foi unificada em 17% para combustíveis em 2022, também alterariam a dinâmica de preços, mas não há sinalizações recentes de ajustes nessas variáveis.

Para o consumidor final, a defasagem de 33,9% não se traduz diretamente em preço na bomba, já que a formação do preço ao consumidor inclui margens de distribuição, revenda, e a carga tributária completa, que representa cerca de 45% do valor final. Ainda assim, a defasagem é um indicador antecedente relevante, pois reajustes nas refinarias tendem a ser repassados ao longo da cadeia em um prazo de duas a três semanas.

Vale notar que o modelo de projeção SENTINELA, responsável por quantificar cenários probabilísticos de reajuste, ainda não está calibrado para este cruzamento. Por essa razão, a análise apresentada é estritamente descritiva e não quantifica probabilidades preditivas sobre movimentos futuros da Petrobras, limitando-se a expor a dinâmica atual entre os preços domésticos e as variáveis globais. O cálculo interno busca oferecer maior precisão ao cruzar os dados de mercado, reduzindo a dependência de estimativas externas que frequentemente divergem do cenário de custo da estatal.

Fonte. ABICOM_DEFASAGEM_GASOLINA · FRED_BRENT · BCB_PTAX_USD Reportar erro