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Juros com IA

Mercado projeta Selic em 13,25% ao fim de 2026, com cortes graduais ao longo do ano

A taxa Selic vigente está em 14,50% ao ano desde a reunião 278 do Copom, realizada em 29 de abril de 2026.

A taxa Selic vigente está em 14,50% ao ano desde a reunião 278 do Copom, realizada em 29 de abril de 2026. A pesquisa Focus divulgada em 22 de maio de 2026 mostra que o mercado financeiro projeta encerramento do ano em 13,25% ao ano, o que representa uma diferença de 1,25 ponto percentual abaixo do patamar atual. A leitura indica expectativa de ciclo de afrouxamento monetário gradual nos próximos meses, não de manutenção do juro no nível corrente até dezembro.

Para a próxima reunião do Copom, a mediana das expectativas coletadas em 22 de maio de 2026 aponta para 14,25% ao ano, uma diferença de 0,25 ponto percentual frente ao juro vigente. Isso sugere que o mercado precifica corte de 0,25 ponto percentual já no encontro seguinte do comitê, sinalizando início imediato do ciclo de redução. A trajetória projetada entre a próxima reunião e o fim do ano implica cortes adicionais de 1,00 ponto percentual distribuídos ao longo do segundo semestre, ritmo que depende da evolução dos dados de inflação e atividade econômica.

O desvio padrão das expectativas para a Selic em 2026, conforme a coleta de 22 de maio de 2026, está em 0,5561 ponto percentual. Esse indicador mede a dispersão das projeções entre as instituições consultadas pelo Banco Central. Desvio padrão abaixo de 0,60 ponto percentual costuma indicar consenso moderado, sem divergência extrema entre casas otimistas e pessimistas. Quando o desvio sobe acima de 1,00 ponto percentual, sinaliza incerteza elevada sobre o rumo da política monetária, cenário que não se configura na leitura atual.

Gráfico
Selic Meta (% a.a.), últimos 1825 dias
15,0011,177,333,50 14,50 05/06 03/02 03/10 03/06
Fonte. BCB

A pesquisa Focus é o termômetro semanal das expectativas do mercado financeiro brasileiro. O Banco Central coleta projeções de cerca de cem instituições, entre bancos, consultorias e gestoras, e divulga a mediana para os principais indicadores macroeconômicos. A mediana para o fim do ano não configura uma surpresa sobre a decisão vigente, mas sim o caminho que o mercado projeta para a política monetária ao longo dos próximos meses. Essa leitura descritiva reflete a precificação de uma trajetória de juros, e não uma antecipação de movimento iminente isolado.

A projeção de Selic em 13,25% ao ano para o fim de 2026 embute premissas sobre inflação, atividade econômica e cenário externo. Se o IPCA acumulado em 12 meses ceder conforme o mercado espera, o Banco Central ganha espaço para cortar juros sem comprometer a meta de inflação. Se a atividade econômica desacelerar mais que o previsto, a pressão por afrouxamento monetário aumenta. Se choques externos elevarem o prêmio de risco do Brasil ou desvalorizarem o real de forma acentuada, a trajetória de cortes pode ser interrompida ou revertida. A mediana de 13,25% ao ano é condicional a essas variáveis se comportarem dentro do cenário base que o mercado considera mais provável hoje.

Para quem tem posição em renda fixa prefixada ou atrelada à Selic, a leitura do Focus ajuda a calibrar expectativas de retorno. Título prefixado comprado hoje embute a taxa de mercado corrente, que já reflete parte do ciclo de cortes projetado. Investimento em Selic pura tende a render menos ao longo do ano se a trajetória de queda se confirmar. A manutenção desta leitura depende da estabilidade dos dados de inflação e atividade econômica, além da ausência de choques externos que possam alterar a precificação da curva de juros no curto prazo.