Itaú e Bradesco aceleram crédito acima de 25%, mas lucros divergem entre os quatro maiores bancos
Os conglomerados prudenciais do Itaú, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil concentravam, em março de 2026, ativos totais de R$
Os conglomerados prudenciais do Itaú, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil concentravam, em março de 2026, ativos totais de R$ 9,79 trilhões. O Itaú liderava com R$ 2,83 trilhões, representando 29,0% do conjunto, seguido pelo Banco do Brasil com R$ 2,61 trilhões (26,6%), Caixa com R$ 2,36 trilhões (24,1%) e Bradesco com R$ 1,99 trilhões (20,3%). A distribuição entre os quatro permanece relativamente equilibrada, sem concentração extrema em uma única instituição. Conglomerado prudencial é a estrutura regulatória que abrange a holding bancária e todas as suas subsidiárias reguladas, não apenas a marca comercial isolada. É essa estrutura que o Banco Central monitora para fins de exigências de capital e limites operacionais.
A carteira de crédito dos quatro cresceu em ritmo acelerado nos últimos 12 meses, mas com velocidades distintas que revelam estratégias divergentes. O Itaú expandiu sua carteira em 26,7%, chegando a R$ 1,22 trilhão. O Bradesco avançou 30,0% para R$ 896,2 bilhões, o maior crescimento relativo entre os quatro. A Caixa cresceu 11,0% até R$ 1,34 trilhão, enquanto o Banco do Brasil expandiu apenas 6,7% para R$ 1,12 trilhão. Em cinco anos, todos os quatro ampliaram suas carteiras entre 64,3% e 76,0%, movimento coordenado que reflete expansão do crédito no sistema financeiro como um todo. A diferença entre o crescimento de ativo total (que variou entre 5,2% e 18,9% em 12 meses) e o crescimento de carteira de crédito (entre 6,7% e 30,0%) indica realocação de portfólio entre os bancos. Quando a carteira de crédito cresce mais rápido que o ativo total, o banco está aumentando a proporção de empréstimos em relação a outros ativos, como títulos públicos, operações de tesouraria ou participações societárias. É uma escolha de alocação de capital que reflete apetite por risco e estratégia comercial.
Os lucros líquidos dos quatro bancos, porém, seguiram trajetórias divergentes que não acompanham o ritmo de expansão do crédito. O Itaú registrou R$ 12,15 bilhões em lucro líquido, com crescimento de 16,3% em 12 meses. O Bradesco reportou R$ 5,04 bilhões, em queda de 3,7% ante o mesmo período do ano anterior. A Caixa apresentou R$ 3,09 bilhões, com variação positiva de 2,9%. O Banco do Brasil, por sua vez, registrou R$ 3,21 bilhões, mas com retração de 64,7% em 12 meses, a maior queda relativa entre os quatro. Em perspectiva de cinco anos, Bradesco e Banco do Brasil mostram trajetória de lucro em declínio, com quedas de 47,8% e 49,4% respectivamente, enquanto Itaú cresceu 10,0% no mesmo período. A Caixa recuou 56,3% em cinco anos, movimento que reflete tanto provisões elevadas para créditos duvidosos quanto mudanças na política de crédito habitacional, segmento em que a instituição é líder.
A divergência entre crescimento de crédito e lucro pode ser explicada por vários fatores que não aparecem diretamente nos números agregados. Provisões para devedores duvidosos (PDD) aumentam quando a inadimplência sobe ou quando o banco antecipa perdas futuras, reduzindo o lucro contábil mesmo que a carteira esteja crescendo. Ganhos ou perdas com marcação a mercado de títulos e derivativos também afetam o resultado trimestral, especialmente em períodos de volatilidade de juros e câmbio. Além disso, a composição da carteira importa: crédito consignado tem margem menor que crédito rotativo, crédito imobiliário tem prazo longo e retorno diluído no tempo, enquanto crédito corporativo de curto prazo pode gerar margem maior mas com risco de concentração. O lucro líquido trimestral é uma fotografia que captura todos esses movimentos simultaneamente, não apenas o desempenho operacional puro da intermediação financeira.
O Índice de Basileia, que mede a proporção de capital próprio em relação aos ativos ponderados por risco, variou entre 14,23% no Banco do Brasil e 15,13% na Caixa. O Itaú registrou 14,77% e o Bradesco 14,90%. Todos os quatro índices ficam acima do piso regulatório mínimo de 10,5% exigido pelo Banco Central. Vale notar que o Índice de Basileia é uma exigência regulatória de capital mínimo, não uma medida de solidez comparável entre instituições. Variações de menos de 0,9 ponto percentual entre os bancos refletem diferentes modelos de negócio e alocação de capital, não qualidade relativa de uma instituição sobre a outra. Um banco com Basileia mais alto pode estar simplesmente carregando mais capital por escolha estratégica, antecipando crescimento futuro ou cumprindo exigências adicionais impostas pelo regulador em função do porte sistêmico.
Os dados referem-se a março de 2026 e incluem conglomerados prudenciais, com publicação trimestral posterior ao período de referência. As variações de lucro em 12 meses podem refletir sazonalidade, provisões para créditos duvidosos, ganhos ou perdas com investimentos, e não apenas desempenho operacional recorrente. Para o investidor que acompanha o setor bancário, a leitura conjunta de crescimento de crédito, lucro e Basileia oferece uma visão mais completa do que qualquer métrica isolada. Crescimento acelerado de crédito sem crescimento proporcional de lucro pode indicar compressão de margem ou aumento de risco. Lucro em queda com Basileia estável sugere que o banco está mantendo colchão de capital mesmo diante de resultado mais fraco, o que pode ser lido como prudência ou como sinal de que o regulador não permitiria distribuição maior de dividendos naquele momento.