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Selic em 14,75% ao ano puxa captação de fundos de renda fixa e estoque do Tesouro Direto

A Selic em 14,75% ao ano está atraindo capital para renda fixa por dois caminhos distintos e simultâneos.

A Selic em 14,75% ao ano está atraindo capital para renda fixa por dois caminhos distintos e simultâneos. Os fundos de renda fixa captaram R$ 35,51 bilhões líquidos nos 30 dias até 1º de abril de 2026, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários. No mesmo período, o estoque do Tesouro Direto cresceu 9,56% no trimestre encerrado em 1º de abril de 2026, chegando a R$ 241,29 bilhões. Ambos os movimentos apontam para o mesmo fenômeno: juros em patamar elevado alimentam simultaneamente os dois canais de investimento em renda fixa, sugerindo entrada de capital novo no segmento, não apenas migração entre modalidades.

A escolha entre fundo e Tesouro Direto envolve trade-off claro entre praticidade e custo. Um fundo de renda fixa cobra taxa de administração que varia tipicamente entre 0,5% e 1,5% ao ano, dependendo da instituição e do tipo de carteira. Em troca, o gestor monta a carteira, rebalanceia conforme necessário, e o investidor acompanha tudo pela plataforma da corretora ou banco, sem precisar escolher títulos individuais nem acompanhar vencimentos. O Tesouro Direto, por sua vez, não cobra taxa de administração de fundo. O investidor paga apenas a taxa de custódia da B3, que é de 0,20% ao ano sobre o valor investido, com mínimo de R$ 10,00 anuais para quem tem até R$ 10 mil aplicados. Quem tem mais de R$ 10 mil paga os 0,20% sobre o total, sem teto. A economia de custo é real, mas vem com a contrapartida de que o investidor precisa escolher o título adequado ao seu prazo e objetivo, acompanhar a marcação a mercado, e decidir sozinho se mantém até o vencimento ou vende antes no mercado secundário.

Quando a Selic está em dois dígitos, como agora, ambos os canais ficam atraentes porque o rendimento base é elevado. A taxa de administração de 1,5% ao ano, que seria pesada sobre um CDI de 6%, representa proporção menor sobre um CDI de 14,75%. O investidor que opta pelo fundo ainda captura rendimento líquido confortável, mesmo depois de descontada a taxa. Isso explica por que a captação líquida dos fundos de renda fixa permanece robusta: o custo relativo da gestão profissional caiu em termos proporcionais, e muitos investidores preferem pagar pela praticidade a assumir a gestão direta.

Os números sugerem que a Selic alta está trazendo capital novo para renda fixa em geral, não apenas deslocando dinheiro de um canal para o outro. A captação líquida positiva dos fundos e o crescimento simultâneo do estoque do Tesouro Direto indicam regime de atração mútua: ambos crescem porque o patamar de juros alimenta os dois. Quando a Selic estava mais baixa, entre 2020 e 2021, era comum ver fundos de renda fixa com captação líquida negativa enquanto o Tesouro Direto crescia, sinalizando que investidores estavam trocando fundo por compra direta para economizar taxa. Agora, o padrão é diferente. A captação dos fundos está positiva e o estoque do Tesouro também sobe, sugerindo que há dinheiro saindo de outras classes de ativos, como poupança, fundos multimercado ou até renda variável, e entrando em renda fixa pelas duas portas.

Uma ressalva importante sobre a comparação: a captação dos fundos é fluxo puro, entrada menos saída de dinheiro. O estoque do Tesouro Direto, por sua vez, mistura fluxo novo com remarcação de preço dos títulos já em carteira. Quando a taxa de juros cai, os títulos prefixados e os indexados ao IPCA que você já possui ganham valor no mercado secundário, e isso aparece como crescimento do estoque sem que tenha entrado dinheiro novo. Comparar diretamente um fluxo com a variação de um estoque é uma aproximação útil, mas não é medida precisa de substituição entre canais. Além disso, a captação dos fundos cobre o universo inteiro, incluindo investidores institucionais, fundos de pensão e tesourarias de empresas, enquanto o Tesouro Direto é predominantemente pessoa física. Os públicos são parcialmente diferentes, e parte da captação dos fundos vem de movimentos corporativos que não têm paralelo no Tesouro.

Para o investidor pessoa física, o que importa é entender que ambos os caminhos estão viáveis quando a Selic está em 14,75% ao ano. A escolha depende de quanto tempo você quer dedicar à gestão da carteira e se a economia de taxa de fundo compensa o trabalho de montar e acompanhar títulos individuais. Quem tem perfil mais ativo, conhece os títulos públicos e não se incomoda em acompanhar vencimentos e marcação a mercado, tende a preferir o Tesouro Direto pela economia de custo. Quem prefere delegar a gestão e valoriza a praticidade de ter tudo consolidado numa única plataforma, com rebalanceamento automático, tende a preferir o fundo, mesmo pagando a taxa. Com juros em dois dígitos, até uma taxa de 1,5% ao ano deixa margem de rendimento líquido confortável em qualquer um dos dois canais. O importante é que o investidor entenda o trade-off e escolha o canal que melhor se ajusta ao seu perfil e ao tempo que tem disponível para acompanhar a carteira.

Fonte. CVM_CAPTACAO_LIQUIDA_RENDA_FIXA · BCB_SELIC_META · TESOURO_ESTOQUE_TD_TOTAL Reportar erro