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Reservatórios do Brasil mostram disparidade de 45,99 pontos percentuais entre regiões

Os quatro subsistemas do Sistema Interligado Nacional apresentam cenários muito distintos em 20/05/2026.

Os quatro subsistemas do Sistema Interligado Nacional apresentam cenários muito distintos em 20/05/2026. O Sudeste/Centro-Oeste, que concentra cerca de 70% da capacidade instalada de geração hidrelétrica do país, está com 65,79% de energia armazenada. O Nordeste marca 94,50%. O Norte registra 96,94%. O Sul está em 50,95%. A diferença entre o subsistema mais cheio (Norte) e o mais crítico (Sul) chega a 45,99 pontos percentuais, a maior divergência regional observada em 2026.

Essa heterogeneidade reflete bacias hidrográficas distintas e regimes de precipitação muito diferentes ao longo do país. O Sistema Interligado Nacional permite que energia gerada em uma região seja transmitida para outra, mas quando um subsistema está cheio e outro vazio, o despacho de energia precisa considerar custos operacionais desiguais. Reservatórios baixos forçam o acionamento de usinas termelétricas, que queimam gás natural ou óleo diesel e custam até dez vezes mais por megawatt-hora do que hidrelétricas. Essa pressão operacional, quando agregada ao longo de semanas, eventualmente se reflete em bandeira tarifária vermelha e no componente energia do IPCA.

Gráfico
Energia armazenada do Sudeste/Centro-Oeste (% do máximo), últimos 365 dias
67,2058,1449,0840,03 66,06 08/11 15/01 25/03 02/06
Fonte. ONS

O Sudeste/Centro-Oeste em 65,79% está acima da mediana histórica para maio, mas abaixo do que se considera confortável para operação sem restrições. A região é o coração do sistema elétrico brasileiro, abrigando as maiores hidrelétricas do país e respondendo por mais de dois terços da demanda nacional. Nos últimos 30 dias, a região recebeu apenas 35,1 milímetros de chuva em média, volume insuficiente para recuperação rápida dos reservatórios. Para efeito de comparação, a média histórica de precipitação para o período de abril a maio no Sudeste fica entre 80 e 120 milímetros, dependendo da década analisada. Mesmo assim, o nível atual não sinaliza acionamento termelétrico imediato, porque a capacidade instalada de geração térmica na região é limitada e o operador prefere importar energia de subsistemas vizinhos antes de acionar térmicas caras.

Gráfico
Energia armazenada do Nordeste (% do máximo), últimos 365 dias
96,5379,0361,5344,02 93,26 08/11 15/01 25/03 02/06
Fonte. ONS

O Nordeste em 94,50% reflete regime de chuvas intensas típico do outono na região. O subsistema acumulou 251,3 milímetros de precipitação nos últimos 30 dias, em paralelo com o nível elevado do armazenamento. Esse volume é significativamente superior à média climatológica e explica por que os reservatórios nordestinos estão praticamente cheios. O Norte apresenta situação ainda mais úmida, com 96,94% de capacidade e 471,4 milímetros de chuva acumulada no mesmo período. Ambos os subsistemas estão em zona de conforto operacional, o que permite ao Operador Nacional do Sistema (ONS) despachar energia dessas regiões para abastecer o Sudeste e o Sul sem acionar térmicas.

Gráfico
Energia armazenada do Sul (% do máximo), últimos 365 dias
94,5272,7050,8829,06 59,04 08/11 15/01 25/03 02/06
Fonte. ONS

O Sul contrasta com essa realidade. Em 50,95%, está abaixo de 55%, patamar que começa a exigir atenção do operador. A região recebeu 170,2 milímetros de chuva em 30 dias, volume moderado que não acompanha a recuperação necessária para elevar os reservatórios ao nível de segurança. A chuva é o input natural do reservatório, mas o nível baixo reflete também padrão de consumo regional elevado no outono (aquecimento residencial e industrial) e defasagem entre precipitação e enchimento das bacias. Quando chove na bacia do rio Uruguai ou do Jacuí, por exemplo, a água leva dias para percorrer o curso do rio até a barragem, e parte se perde por evaporação e infiltração no solo.

Para o leitor que paga conta de luz, o ponto relevante é que essa disparidade entre subsistemas aumenta a complexidade operacional e o custo marginal de operação. Quanto maior a diferença de disponibilidade entre regiões, mais o sistema precisa usar geração cara para equilibrar a oferta, seja acionando térmicas locais, seja pagando pelo uso intensivo das linhas de transmissão para trazer energia de longe. Esse custo, ao longo do tempo, pressiona tarifas. Não há relação automática entre nível de reservatório de um dia e bandeira tarifária do mês seguinte, mas a tendência de baixo armazenamento em múltiplas regiões é um sinal que o operador monitora com atenção. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) define a cor da bandeira com base no custo variável de operação, que por sua vez depende de quanto o ONS precisa acionar térmicas. Quando o Sul está em 50,95% e o Sudeste em 65,79%, o risco de acionamento térmico sobe, e com ele a probabilidade de bandeira vermelha nos meses seguintes.

Fonte. ONS · EAR Diário por Subsistema (dados.ons.org.br) Reportar erro