Reservatórios do Norte e Nordeste operam próximos da capacidade máxima
O nível de energia armazenada no subsistema Norte atingiu 97,48% da capacidade máxima em 24/05/2026, acompanhado pelo subsistema Nordeste, que registra 94,27%.
O nível de energia armazenada no subsistema Norte atingiu 97,48% da capacidade máxima em 24/05/2026, acompanhado pelo subsistema Nordeste, que registra 94,27%. Em contrapartida, o subsistema Sul apresenta o nível mais crítico entre as regiões, com 53,36% de armazenamento, enquanto o Sudeste/Centro-Oeste, responsável por cerca de 70% da capacidade do Sistema Interligado Nacional (SIN), opera em 66,05%.
A disparidade de 44,12 pontos percentuais entre o subsistema mais cheio e o mais crítico reflete a heterogeneidade das bacias hidrográficas brasileiras e a sazonalidade climática que marca o país. O armazenamento de energia, medido pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), depende diretamente do regime de chuvas em cada região, que atua como o principal insumo para a recomposição dos reservatórios das usinas hidrelétricas. Quando os reservatórios estão cheios, o sistema opera com custo marginal baixo, já que a água armazenada é o combustível mais barato disponível. Quando os níveis caem, o ONS precisa acionar usinas termelétricas movidas a gás natural, carvão ou óleo diesel, elevando o custo de geração e pressionando a bandeira tarifária que aparece na conta de luz do consumidor.
O regime de chuvas nos 30 dias encerrados em 24/05/2026 mostra volumes distintos entre as bacias, explicando parte significativa da diferença nos níveis de armazenamento. O subsistema Norte acumulou 426,3 milímetros de precipitação no período, volume que se traduz em afluências robustas aos reservatórios da região, como os das usinas de Tucuruí e Belo Monte. No Nordeste, o acumulado foi de 225,8 milímetros, suficiente para manter os reservatórios em patamar elevado, especialmente nas bacias do São Francisco e Parnaíba. O Sudeste/Centro-Oeste, por sua vez, registrou apenas 42,0 milímetros, refletindo o período de estiagem típico do outono na região, que concentra a maior parte da capacidade instalada do país. O Sul apresentou 186,8 milímetros no mesmo período, volume intermediário que não foi suficiente para elevar significativamente os níveis de armazenamento da região.
A diferença de precipitação entre o Norte e o Sudeste/Centro-Oeste, de mais de 380 milímetros em apenas um mês, ilustra o desafio operacional do ONS. O sistema brasileiro é interligado, o que permite transferir energia excedente de uma região para outra por meio das linhas de transmissão. Quando o Norte está cheio e o Sudeste baixo, a energia gerada no Norte pode ser exportada para atender a demanda do Sudeste, reduzindo a necessidade de despacho térmico. Essa transferência, no entanto, tem limites físicos impostos pela capacidade das linhas de transmissão e pelas perdas elétricas ao longo do trajeto. Por isso, o nível de armazenamento do Sudeste/Centro-Oeste permanece central para a leitura de custo do sistema, dado o peso da região na capacidade total de geração e na proximidade dos grandes centros de consumo.
Níveis mais baixos de armazenamento em regiões estratégicas costumam exigir maior acionamento de usinas termelétricas para garantir o suprimento de energia ao sistema nacional. Embora a chuva seja o input natural para os reservatórios, a necessidade de despacho térmico altera o custo da operação do sistema, o que eventualmente pressiona a bandeira tarifária e o IPCA energia, componente do índice de inflação oficial. A bandeira tarifária funciona como um sinal de preço para o consumidor: quando o sistema opera com custo elevado, a bandeira amarela ou vermelha adiciona um valor extra à conta de luz, repassando parte do custo do despacho térmico. Esse mecanismo afeta diretamente o orçamento das famílias e a inflação medida pelo IBGE.
A dinâmica entre os subsistemas é monitorada continuamente pelo ONS, que publica os níveis de energia armazenada diariamente. Enquanto o Norte e o Nordeste operam com margens folgadas, o acompanhamento dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste e do Sul permanece central para a leitura de custo do sistema nos próximos meses. A expectativa é que o período de chuvas mais intensas no Sudeste comece apenas em outubro, o que significa que os níveis atuais tendem a cair até lá, a menos que o regime de chuvas se antecipe ou que o consumo de energia recue por fatores econômicos. O histórico mostra que níveis abaixo de 50% no Sudeste/Centro-Oeste costumam acender o alerta para risco de racionamento, embora o sistema atual tenha maior capacidade de resposta do que tinha na crise de 2001, graças à expansão das linhas de transmissão e ao aumento da capacidade térmica instalada.