Reservatórios do SIN operam com diferença de 43,5 pontos percentuais entre regiões
Os níveis de energia armazenada no Sistema Interligado Nacional (SIN) apresentam desequilíbrio regional acentuado em 25/05/2026.
Os níveis de energia armazenada no Sistema Interligado Nacional (SIN) apresentam desequilíbrio regional acentuado em 25/05/2026. O subsistema Norte opera com 97,27% de sua capacidade máxima, enquanto o Sul registra 53,75%, configurando uma diferença de 43,5 pontos percentuais entre o reservatório mais cheio e o mais crítico. O Nordeste está em 94,06% e o Sudeste/Centro-Oeste, que concentra a maior parte da capacidade instalada do país, opera com 66,07%.
Essa disparidade reflete a heterogeneidade das bacias hidrográficas brasileiras e os regimes de chuva distintos que alimentam cada subsistema. A energia armazenada (EAR) é a métrica que indica quanto de água está disponível nos reservatórios das hidrelétricas em relação à capacidade máxima de cada região. Quando o EAR está alto, o sistema consegue gerar energia sem acionar usinas termelétricas, que têm custo operacional superior. Quando está baixo, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) precisa despachar térmicas para garantir o abastecimento, o que pressiona a bandeira tarifária e pode impactar o IPCA de energia elétrica nos meses seguintes.
O regime de chuvas nos 30 dias encerrados em 25/05/2026 explica parte significativa da configuração atual. O Norte acumulou 415,9 milímetros de precipitação no período, volume que sustenta os reservatórios da região em patamar próximo ao máximo. O Nordeste registrou 225,3 milímetros, também acima da média histórica para o período, mantendo os níveis elevados. O Sul acumulou 180,4 milímetros, volume que não foi suficiente para elevar o EAR de forma expressiva, dado o consumo intenso da região e a menor capacidade de armazenamento relativa. O Sudeste/Centro-Oeste, por sua vez, registrou apenas 42,5 milímetros, refletindo o período seco típico do outono na região central do país.
A precipitação é o principal input para os reservatórios das hidrelétricas. Diferentemente de sistemas baseados em usinas a gás ou carvão, onde o combustível pode ser estocado ou importado conforme a demanda, o sistema hídrico brasileiro depende diretamente do ciclo de chuvas. Quando chove pouco em uma região, o reservatório não se recompõe, e o ONS precisa transferir energia de outras regiões via linhas de transmissão ou acionar térmicas locais. Quando chove muito, o excesso pode até ser vertido (desperdiçado) se os reservatórios já estiverem cheios, como ocorre frequentemente no Norte durante o período de cheias.
A gestão integrada dos reservatórios pelo ONS busca equilibrar essa oferta entre as regiões, transferindo energia do Norte e Nordeste, onde há sobra, para o Sudeste e Sul, onde a demanda é maior e os níveis estão mais pressionados. Esse intercâmbio é possível graças às linhas de transmissão que conectam os subsistemas, mas tem limites físicos. A capacidade de transferência entre regiões não é infinita, e perdas técnicas ocorrem ao longo do trajeto. Por isso, mesmo com o Norte operando próximo ao máximo, o Sul não consegue importar toda a energia que precisaria para elevar rapidamente seu EAR.
A configuração atual exige monitoramento constante. O Sudeste/Centro-Oeste, responsável por cerca de 70% do consumo nacional, está em patamar intermediário, mas a baixa precipitação recente acende sinal de atenção para os próximos meses. O Sul, historicamente mais vulnerável a oscilações hídricas por ter reservatórios menores e consumo elevado, opera no nível mais crítico do sistema. Se o regime de chuvas não se normalizar nas próximas semanas, a probabilidade de acionamento térmico aumenta, com impacto direto na conta de luz via bandeira tarifária.
Para o consumidor, a disparidade regional dos reservatórios se traduz em risco tarifário assimétrico. Regiões com EAR baixo tendem a acionar mais térmicas, o que eleva o custo marginal de operação e pode resultar em bandeira vermelha. Regiões com EAR alto operam com custo menor, mas o sistema é integrado, e a bandeira tarifária é definida nacionalmente com base no custo médio de geração. Assim, mesmo quem mora em área com reservatório cheio pode pagar mais se outras regiões estiverem acionando térmicas.
A dinâmica dos próximos meses depende do comportamento das chuvas. O período de maio a agosto é tipicamente seco no Sudeste e Centro-Oeste, com recuperação esperada apenas a partir de setembro. O Sul costuma ter precipitação mais distribuída ao longo do ano, mas volumes abaixo da média podem manter o EAR pressionado. Norte e Nordeste, que já operam em níveis confortáveis, tendem a se manter estáveis ou até verter água caso as chuvas continuem intensas, o que não resolve o problema das regiões deficitárias por limitação de transmissão.
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