Etanol custa 68,1% do preço da gasolina e mantém vantagem econômica na bomba
O preço médio do etanol hidratado atingiu R$ 4,50 por litro na semana encerrada em 22/05/2026, enquanto a gasolina comum foi comercializada
O preço médio do etanol hidratado atingiu R$ 4,50 por litro na semana encerrada em 22/05/2026, enquanto a gasolina comum foi comercializada a R$ 6,62 por litro, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Com essa relação de preços, o etanol representa 68,1% do valor da gasolina, posicionando-se abaixo do patamar de 70% que costuma servir como referência prática para a escolha do combustível em veículos flex.
A regra dos 70% baseia-se na diferença de rendimento energético entre os dois combustíveis. O etanol hidratado entrega, em média, cerca de 70% da autonomia que a gasolina proporciona por litro consumido em motores flex. Isso acontece porque o etanol possui menor densidade energética, medida em megajoules por litro. Quando a paridade de preços fica abaixo desse limite, o custo por quilômetro rodado tende a ser menor com o etanol, já que o gasto adicional no posto é compensado pelo consumo proporcionalmente maior. A conta é direta: se o etanol custa menos de 70% do preço da gasolina, o motorista gasta menos para percorrer a mesma distância, mesmo abastecendo com mais frequência.
Vale considerar que essa é uma média nacional e o ponto de equilíbrio exato varia conforme o modelo do veículo, as condições de manutenção do motor e o estilo de condução do motorista. Carros mais novos, com injeção eletrônica calibrada para etanol, tendem a extrair melhor rendimento do biocombustível. Motores desregulados ou com filtros sujos podem elevar o consumo e deslocar o ponto de vantagem para cima. Condução agressiva, com acelerações bruscas e frenagens constantes, também penaliza mais o etanol do que a gasolina, por conta da curva de torque e da resposta do motor em baixas rotações.
Além das características técnicas do motor, a logística de distribuição influencia diretamente a competitividade do biocombustível no território nacional. Estados mais próximos às usinas do Centro-Sul, como São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná, tendem a apresentar relações de preço mais favoráveis ao etanol do que regiões distantes dos centros produtores, onde o custo de frete encarece o produto final. A carga tributária estadual, incluindo o ICMS, também compõe essa diferença regional. Alguns estados aplicam alíquotas menores sobre o etanol do que sobre a gasolina, ampliando a vantagem do biocombustível. Outros equiparam as alíquotas ou até invertem a lógica, fazendo com que a vantagem econômica observada na média nacional não seja uniforme em todo o território.
A sazonalidade da safra de cana-de-açúcar é outro fator que movimenta a paridade ao longo do ano. Entre abril e novembro, período de colheita no Centro-Sul, a oferta de etanol tende a ser maior e os preços mais baixos. Entre dezembro e março, entressafra, a oferta cai e os preços sobem, estreitando a margem de vantagem frente à gasolina. O levantamento da semana de 22/05/2026 captura um momento de safra plena, quando a produção está em ritmo elevado e a competitividade do etanol costuma ser mais acentuada.
O dado atual sugere que, para a média do país, o abastecimento com etanol tende a compensar financeiramente na bomba. A relação de preços de 68,1% indica que o combustível renovável segue como alternativa competitiva frente à gasolina para o consumidor médio. O cenário reflete a dinâmica de oferta e demanda observada no levantamento da semana de 22/05/2026, mantendo o etanol como opção vantajosa para quem busca reduzir o custo por quilômetro rodado sem abrir mão da flexibilidade que os motores bicombustíveis oferecem.