Etanol a 62,5% do preço da gasolina compensa no tanque flex desta semana
Relação está 7,5 pontos abaixo do ponto de equilíbrio energético na média nacional.
O etanol hidratado fechou a semana de 10 de julho de 2026 a R$ 4,13 por litro na média nacional, enquanto a gasolina comum estava em R$ 6,62. A razão entre os dois preços é de 62,5%, ou seja, o etanol custa pouco mais de seis décimos do que a gasolina custa. Para quem tem carro flex, essa relação é o número que importa na hora de decidir qual combustível colocar no tanque.
O ponto de referência usado para essa decisão é a marca dos 70%. Ela existe porque o etanol rende em torno de 70% da energia que a gasolina entrega por litro num motor flex. Quando o preço do etanol fica abaixo de 70% do preço da gasolina, cada real gasto em etanol percorre mais quilômetros do que cada real gasto em gasolina. Acima desse patamar, a gasolina passa a ser mais eficiente por real investido. A relação observada esta semana, em 62,5%, situa-se 7,5 pontos percentuais abaixo desse limiar. Em termos práticos, significa que abastecer com etanol tende a compensar economicamente para o proprietário de um veículo flex.
A diferença de 7,5 pontos percentuais não é marginal. Representa uma vantagem econômica clara, embora não dramática. Um motorista que roda 1.000 quilômetros por mês num carro que faz 10 quilômetros por litro com gasolina e 7 quilômetros por litro com etanol gastaria cerca de R$ 662 abastecendo só gasolina. Com etanol, o gasto cairia para aproximadamente R$ 590. A economia mensal ficaria em torno de R$ 72, ou R$ 864 no ano. Esse cálculo usa os preços médios nacionais da semana de 10 de julho de 2026 e assume consumo constante, sem considerar variações de condução ou manutenção do veículo.
Mas essa é uma leitura de média nacional, e aqui mora uma ressalva importante. A relação entre os preços varia bastante de estado para estado, porque dois fatores mudam conforme a localização. O ICMS incide de forma diferente em cada unidade federativa, com alíquotas que vão de 12% a 34% dependendo do estado e do combustível. A logística do etanol o torna mais barato perto das usinas do Centro-Sul, onde se concentra a produção. São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul respondem por cerca de 90% da produção nacional de etanol, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Um motorista em São Paulo ou Minas Gerais enfrenta uma conta diferente da de um motorista no Nordeste ou no Norte, onde o etanol chega por caminhão-tanque depois de percorrer centenas de quilômetros. Sem a série estadual de preços da ANP destravada, não é possível detalhar essa variação com precisão, mas ela é significativa o suficiente para que a decisão no posto possa diferir da média do país.
A regra dos 70% também é uma aproximação baseada no rendimento médio de um motor flex. Veículos mais antigos, com maior consumo ou padrões de condução específicos, podem ter um ponto de equilíbrio ligeiramente diferente. Um carro que roda muito em cidade, com muitas acelerações e frenagens, tende a consumir mais combustível por quilômetro do que um carro que roda em estrada. A diferença de rendimento entre etanol e gasolina pode variar de 65% a 75% dependendo do modelo do veículo, do ano de fabricação e do estado de conservação do motor. Carros flex fabricados após 2010 costumam ter melhor aproveitamento do etanol do que os modelos anteriores, graças a ajustes no sistema de injeção e no gerenciamento eletrônico do motor. O importante é entender que o número de 62,5% não é uma verdade universal, mas uma média que serve como bússola para a maioria dos casos.
A observação desta semana mostra que, na média nacional, o etanol está numa posição vantajosa para o motorista flex. A vantagem é moderada, não dramática, mas é real. O próximo levantamento da ANP trará uma nova leitura dessa relação, e ela pode mudar conforme os preços se movimentam nas bombas. A safra de cana-de-açúcar 2026/2027, que começou em abril e vai até março de 2027, tende a influenciar a oferta de etanol nos próximos meses. Safra maior pressiona o preço do etanol para baixo. Safra menor ou direcionamento da cana para produção de açúcar em vez de etanol pode empurrar o preço para cima. Por enquanto, os números sugerem que quem tem flexibilidade de escolha no tanque encontra incentivo econômico para optar pelo etanol.
Inscrição feita
Procurando outra notícia?