Mercado projeta Selic em 13,50% no fim de 2026, com cortes concentrados no segundo semestre
A Selic vigente está fixada em 14,50% ao ano, patamar decidido pelo Banco Central na reunião 278 realizada em 29 de abril
A Selic vigente está fixada em 14,50% ao ano, patamar decidido pelo Banco Central na reunião 278 realizada em 29 de abril de 2026. A pesquisa Focus divulgada em 5 de junho de 2026 mostra onde o mercado espera que o juro chegue ao longo do ano. A mediana das expectativas aponta para 13,50% ao ano no encerramento de 2026, uma diferença de 1,0 ponto percentual abaixo do patamar vigente.
Para a próxima reunião do Copom, prevista ainda no segundo trimestre, a mediana Focus de 5 de junho indica 14,25% ao ano, praticamente em linha com o juro de hoje. Essa diferença de apenas 0,25 ponto percentual sugere que o mercado não espera movimento imediato. O que muda é a trajetória esperada ao longo dos meses seguintes, com os cortes concentrados no segundo semestre.
É importante esclarecer o que essa diferença representa. A mediana de fim de ano não é uma surpresa ou uma aposta de que o Copom vai se desviar do esperado. É a síntese das expectativas sobre o caminho que os juros vão percorrer entre agora e dezembro. Quando o mercado projeta 13,50% para dezembro partindo de 14,50% em junho, está dizendo que espera uma trajetória de redução gradual ao longo do segundo semestre, não um corte abrupto em uma única reunião.
A pesquisa Focus funciona como termômetro semanal do consenso de mercado. Participam dela cerca de cem instituições financeiras, consultorias e gestoras, que enviam suas projeções ao Banco Central toda segunda-feira. A mediana captura o ponto central dessa distribuição, o valor que divide ao meio o conjunto de respostas. Metade dos participantes projeta Selic acima de 13,50% no fim de 2026, metade projeta abaixo. Não é previsão oficial do Banco Central, mas retrato do que os agentes privados esperam que aconteça.
A dispersão das projeções Focus para a Selic em 2026 fica em 0,5455 ponto percentual, o que indica alguma heterogeneidade entre os participantes da pesquisa. Nem todos veem o mesmo caminho, mas a mediana captura o consenso central. Essa variação reflete incerteza genuína sobre como a inflação e a atividade econômica vão evoluir nos próximos meses, fatores que determinam o espaço que o Banco Central terá para ajustar juros. Dispersão acima de 0,5 ponto percentual costuma sinalizar ambiente de dúvida sobre o ritmo do ciclo monetário, não sobre a direção.
O que move a expectativa de cortes no segundo semestre é a combinação de três fatores. Primeiro, a inflação acumulada em 12 meses vem cedendo desde o pico de 2025, abrindo espaço técnico para afrouxamento monetário. Segundo, a atividade econômica desacelerou no primeiro trimestre de 2026, reduzindo pressões de demanda. Terceiro, o Banco Central sinalizou em comunicados recentes que o ciclo de alta da Selic chegou ao fim, embora não tenha se comprometido com data ou magnitude de cortes. O mercado interpreta esses sinais e projeta o ritmo que considera mais provável.
A leitura descritiva desta semana assume que o Comunicado Copom 278 e a coleta Focus de 5 de junho permanecem sem revisão material nos próximos dias. Também pressupõe que nenhuma reunião extraordinária ou comunicado fora do ciclo regular altera a Selic vigente, e que nenhum choque externo dominante, como movimento brusco em juros globais ou commodities, reprecia a curva de forma significativa no período imediato.
Cenários que invalidariam esta leitura incluem uma nova decisão do Copom que mude a Selic vigente, uma revisão relevante da mediana Focus na coleta seguinte, ou um dado de inflação ou atividade econômica substancialmente diferente do esperado. Qualquer um desses eventos reescreveria as expectativas do mercado para o resto do ano.