Disparidade entre reservatórios do SIN atinge 42,5 pontos percentuais
Os níveis de energia armazenada no Sistema Interligado Nacional apresentam uma configuração de desequilíbrio regional acentuado em 26/05/2026.
Os níveis de energia armazenada no Sistema Interligado Nacional apresentam uma configuração de desequilíbrio regional acentuado em 26/05/2026. O subsistema Norte opera com 97,2% de sua capacidade máxima, enquanto o Nordeste registra 94,3%. O Sudeste/Centro-Oeste, que concentra a maior parte da capacidade de armazenamento do país, está em 66,1%. O Sul, por sua vez, apresenta o nível mais crítico entre as quatro regiões, com 54,7%.
A disparidade entre o reservatório mais cheio (Norte) e o mais crítico (Sul) atinge um spread de 42,5 pontos percentuais. Essa diferença de armazenamento é um dado relevante para a gestão do sistema, pois reservatórios em níveis baixos tendem a exigir maior acionamento de usinas termelétricas para suprir a demanda, o que altera o custo da operação e pode pressionar a tarifa final de energia.
A heterogeneidade nos estoques de energia reflete as características distintas das bacias hidrográficas e os regimes de chuva que alimentam cada subsistema. O regime de chuvas nos últimos 30 dias, encerrados em 26/05/2026, mostra volumes que acompanham a variação dos estoques. No Norte, a precipitação acumulada chegou a 426,7 milímetros, em sintonia com os altos níveis de armazenamento da região. No Nordeste, o volume registrado foi de 230,8 milímetros. No Sul, o índice alcançou 194,2 milímetros, enquanto o Sudeste/Centro-Oeste acumulou 42,7 milímetros no mesmo período.
A diferença de precipitação entre as regiões explica parte significativa do desequilíbrio nos reservatórios. O Norte recebeu quase dez vezes mais chuva que o Sudeste/Centro-Oeste nos últimos 30 dias, o que se traduz diretamente na capacidade de reposição dos estoques hídricos. O Sudeste/Centro-Oeste, que responde por cerca de 70% da capacidade de armazenamento do SIN, enfrenta um período de estiagem típico do outono, quando a precipitação cai drasticamente em relação aos meses de verão. Esse padrão sazonal é esperado, mas a magnitude da diferença regional neste momento específico amplia a necessidade de transferência de energia entre subsistemas.
O ONS publica os dados de energia armazenada diariamente, permitindo o acompanhamento da disponibilidade hídrica para a geração de eletricidade. A relação entre o nível dos reservatórios e o custo da energia é indireta, mediada pelo despacho térmico necessário para manter a segurança do suprimento. Quando os reservatórios estão em patamares reduzidos, a necessidade de recorrer a fontes mais caras, como as termelétricas movidas a gás natural ou óleo diesel, torna-se mais frequente. Esse acionamento térmico eleva o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que é o custo marginal de operação do sistema e serve de referência para o mercado de energia de curto prazo.
O PLD, por sua vez, influencia a definição das bandeiras tarifárias, o mecanismo que repassa ao consumidor final o custo adicional da geração térmica. Quando o sistema opera com reservatórios cheios e geração predominantemente hídrica, a bandeira verde prevalece, sem acréscimo na conta de luz. Quando o despacho térmico aumenta, as bandeiras amarela, vermelha patamar 1 e vermelha patamar 2 entram em vigor, adicionando valores crescentes à tarifa. A mudança de bandeira afeta diretamente o IPCA energia, o subíndice do IPCA que mede a variação de preços da eletricidade residencial.
A disparidade regional medida pelo spread de 42,5 pontos percentuais destaca a importância da interligação das bacias para o equilíbrio do suprimento nacional. O SIN foi desenhado justamente para mitigar riscos locais de escassez através da transmissão de energia entre regiões com diferentes disponibilidades de água. Quando o Sul enfrenta níveis críticos, a energia gerada no Norte e no Nordeste pode ser transmitida via linhas de alta tensão, reduzindo a necessidade de despacho térmico local. Essa transferência, no entanto, tem limites físicos impostos pela capacidade das linhas de transmissão e pelas perdas elétricas ao longo do trajeto.
Os dados não permitem inferir mudanças imediatas nas bandeiras tarifárias, mas indicam o cenário de disponibilidade hídrica com o qual o sistema opera. O nível de 54,7% no Sul está acima do patamar de alerta crítico (abaixo de 30%), mas já exige atenção operacional. O Sudeste/Centro-Oeste, em 66,1%, opera em faixa intermediária, típica do período de transição entre a estação chuvosa e a seca. O comportamento dos reservatórios nos próximos meses dependerá da evolução do regime de chuvas e da demanda por energia, que tende a crescer no inverno com o aumento do consumo residencial e comercial.