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Inflação com IA

Etanol recua 8,96% em 30 dias e relação com gasolina favorece consumo

O etanol hidratado fechou o dia 29 de maio de 2026 cotado a R$ 2,23 por litro, acumulando queda de 8,96% nos

O etanol hidratado fechou o dia 29 de maio de 2026 cotado a R$ 2,23 por litro, acumulando queda de 8,96% nos últimos 30 dias segundo dados do CEPEA/ESALQ. No mesmo período, o açúcar cristal paulista recuou 2,76%, enquanto o dólar comercial avançou 1,17%. A relação entre o preço do etanol e da gasolina na bomba está em 65,0%, mantendo o combustível renovável competitivo dentro da regra prática que orienta a decisão do consumidor flex.

A regra dos 70% funciona assim: quando o etanol custa até 70% do preço da gasolina, compensa abastecer com o renovável, porque o rendimento energético menor do etanol (cerca de 70% do rendimento da gasolina) é compensado pelo preço mais baixo. Acima desse patamar, a gasolina passa a ser mais vantajosa. Com a relação em 65,0%, o etanol está 5 pontos percentuais abaixo do limiar, o que significa vantagem clara para quem tem carro flex. Essa margem de competitividade sustenta a demanda pelo combustível renovável mesmo após a queda recente de preços.

A queda de 8,96% do etanol em 30 dias contrasta com o recuo menor do açúcar, de 2,76% no mesmo período. Essa diferença de magnitude sugere que a pressão de oferta no mercado de etanol foi mais intensa que no mercado de açúcar, possivelmente refletindo aumento de produção nas usinas do Centro-Sul ou menor demanda sazonal por etanol. O açúcar, por sua vez, tem dinâmica própria ligada ao mercado internacional, com cotação influenciada pelo contrato Sugar 11 da ICE e pela demanda global, fatores que não necessariamente se movem em sincronia com o etanol doméstico.

O avanço de 1,17% do dólar comercial no período adiciona uma camada de complexidade à análise. Quando o dólar sobe, a exportação de açúcar fica mais atrativa para as usinas, porque o produto é cotado em dólares no mercado internacional. Isso cria um trade-off: produzir mais açúcar para exportar ou produzir mais etanol para o mercado doméstico. O fato de o açúcar ter recuado mesmo com o dólar em alta sugere que outros fatores, como oferta global abundante ou demanda externa fraca, pesaram mais que o câmbio favorável. Para o etanol, a alta do dólar não tem efeito direto de exportação relevante, já que o Brasil exporta pouco etanol em termos relativos, mas afeta indiretamente via competição por cana nas usinas.

A relação de 65,0% entre etanol e gasolina na bomba é o dado que fecha o circuito da análise. Ela indica que, apesar da queda de preços do etanol, o combustível não perdeu competitividade frente à gasolina. Isso mantém a demanda firme e reduz a pressão para novas quedas de preço. Se a relação subisse acima de 70% de forma sustentada, a demanda por etanol cairia, forçando as usinas a baixar preços ou redirecionar a cana para açúcar. Por enquanto, o equilíbrio está favorável ao etanol.

O cenário descrito pressupõe estabilidade em variáveis que não estão sendo monitoradas neste cruzamento específico, como o ICMS estadual sobre combustíveis, o mandato federal de mistura de etanol anidro à gasolina (atualmente em 27%), e a safra de cana do Centro-Sul. Mudanças em qualquer um desses fatores podem alterar rapidamente o equilíbrio de preços. Um salto forte do açúcar internacional ou do dólar, por exemplo, redirecionaria a cana para açúcar e reduziria a oferta de etanol, pressionando os preços para cima. Da mesma forma, uma safra menor que o esperado ou uma mudança tributária estadual pode inverter a dinâmica atual.

Para o consumidor com carro flex, a leitura prática é direta: com etanol a 65,0% do preço da gasolina, abastecer com o renovável continua sendo a escolha mais econômica. Para as usinas, a queda de 8,96% do etanol em 30 dias sinaliza que a oferta está confortável, mas a relação competitiva na bomba garante escoamento sem necessidade de cortes adicionais de preço no curto prazo.

Fonte. CEPEA_ETANOL_HIDRATADO_SP · CEPEA_ACUCAR_SP · BCB_PTAX_USD Reportar erro