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Inflação com IA

Gasolina da Petrobras opera 12,6% abaixo da paridade de importação

O preço da gasolina praticado pela Petrobras nas refinarias brasileiras encerrou o período recente 12,6% abaixo do custo de paridade de importação,

O preço da gasolina praticado pela Petrobras nas refinarias brasileiras encerrou o período recente 12,6% abaixo do custo de paridade de importação, segundo cálculo da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis) até 01/06/2026. O indicador, que mede a diferença entre o preço doméstico e quanto custaria importar o combustível pronto, considera o petróleo Brent como referência internacional, a taxa de câmbio PTAX para conversão em reais, e os custos de frete, seguro e margem operacional típicos de uma importação.

A defasagem negativa de 12,6% significa que a estatal está vendendo gasolina A (pura, sem mistura de etanol) por valor inferior ao que um importador privado pagaria para trazer o produto de fora. Esse desconto pode decorrer de três fatores principais: queda recente do petróleo no mercado internacional, apreciação do real frente ao dólar, ou decisão deliberada da Petrobras de segurar reajustes mesmo com custos de refino pressionados. A combinação dos três aparece nos dados de maio e junho de 2026.

O petróleo Brent fechou a US$ 98,29 por barril até 01/06/2026, acumulando queda de 16,89% nos últimos 30 dias. A retração do preço internacional alivia a pressão sobre a paridade, já que o custo da matéria-prima importada cai proporcionalmente. No mesmo intervalo, o dólar PTAX subiu 0,84%, encerrando em R$ 5,03. A alta cambial de menos de 1% foi insuficiente para compensar a queda de quase 17% do Brent, resultando em alívio líquido na equação de paridade quando convertida para reais.

A defasagem de 12,6% fica fora da faixa que historicamente precede reajustes da Petrobras. Quando o indicador da Abicom ultrapassa 10% positivos (preço doméstico acima da paridade), a pressão por alta costuma se materializar em semanas. Quando fica negativo acima de 15% em módulo (preço doméstico muito abaixo da paridade), a estatal tende a aproveitar a margem para recompor caixa ou evitar defasagem futura. Entre 10% negativo e 10% positivo, o histórico mostra acomodação, com a empresa aguardando sinais mais claros de tendência antes de mexer na tabela.

A média móvel de 5 dias da defasagem estava em 0,12% negativos até 01/06/2026, praticamente neutra. A média de 15 dias registrava 1,98% negativos, indicando que o alívio recente é fenômeno das últimas duas semanas, não tendência consolidada de meses. Essa volatilidade de curto prazo reforça a leitura de que a Petrobras não enfrenta pressão imediata para ajustar preços, mas também não dispõe de margem confortável para segurar por trimestres caso o Brent volte a subir ou o dólar dispare.

O cenário de estabilidade depende de três pilares. Primeiro, que o Brent se mantenha na faixa de US$ 95 a US$ 105 por barril, longe dos picos de US$ 118 vistos em fevereiro de 2026. Segundo, que o dólar oscile entre R$ 4,90 e R$ 5,15, sem rompimentos bruscos que alterem a paridade overnight. Terceiro, que não haja mudanças na política de preços da estatal (como adoção de fórmula automática de repasse) nem na tributação federal ou estadual dos combustíveis, especialmente no ICMS unificado que entrou em vigor em 2023.

Vale notar que a Petrobras não divulga metodologia própria de cálculo de paridade desde 2023, quando deixou de publicar o chamado Preço de Paridade de Importação (PPI) em seu site. A Abicom preenche esse vácuo com estimativa independente, mas a associação representa importadores privados, grupo com interesse comercial em mostrar defasagem alta quando quer pressionar por reajustes. O número de 12,6% negativos é a leitura disponível mais confiável do mercado, mas não é dado oficial da estatal.

Para o consumidor final, a defasagem negativa não se traduz em alívio imediato na bomba. O preço da gasolina C (com 27% de etanol anidro misturado, conforme mandato federal vigente desde junho de 2025) nas bombas reflete não apenas o preço de refinaria, mas também a margem de distribuição, a margem de revenda dos postos, e os tributos federais e estaduais. A parcela da refinaria responde por cerca de 30% do preço final, o que significa que uma defasagem de 12,6% na refinaria equivale a cerca de 3,8% de alívio potencial no preço ao consumidor, caso a Petrobras repassasse integralmente a vantagem. Historicamente, a estatal não repassa defasagens negativas como corte de preço, preferindo acumular margem para absorver choques futuros.

Fonte. ABICOM_DEFASAGEM_GASOLINA · FRED_BRENT · BCB_PTAX_USD Reportar erro