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Inflação com IA

Etanol perde vantagem econômica na bomba e fica 5,8 pontos acima do limite

Na semana de 6 de junho de 2026, o etanol hidratado custava em média R$ 5,13 por litro na bomba, enquanto a

Na semana de 6 de junho de 2026, o etanol hidratado custava em média R$ 5,13 por litro na bomba, enquanto a gasolina comum saía por R$ 6,77, segundo levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo (ANP). A razão entre os dois preços ficou em 75,8%, o que significa que o etanol custava três quartos do preço da gasolina. Esse patamar está 5,8 pontos percentuais acima do limite de 70% que define a vantagem econômica do combustível renovável para o motorista com carro flex.

A regra dos 70% existe porque o etanol rende, em média, cerca de 70% do que a gasolina rende por litro num motor flex. Isso acontece porque o etanol tem menor densidade energética que a gasolina: cada litro de etanol libera menos energia na combustão, o que faz o motor consumir mais combustível para percorrer a mesma distância. Quando o preço do etanol fica abaixo de 70% do preço da gasolina, o motorista compensa a menor eficiência energética com o preço mais baixo, e o etanol se torna a escolha mais econômica. Acima desse limite, a gasolina tende a render mais por real gasto, mesmo custando mais caro por litro.

O ponto exato de paridade varia conforme o veículo, o estilo de condução e até mesmo o tipo de etanol disponível no posto. Veículos mais novos, com motores otimizados para combustíveis flex, podem extrair rendimento ligeiramente superior do etanol em comparação com modelos mais antigos. Quem dirige em rodovia, com velocidade constante e poucas acelerações, tende a obter melhor aproveitamento do etanol do que quem faz trajetos urbanos com muitas paradas e arrancadas. Essas variáveis individuais fazem com que a regra dos 70% seja um indicador útil de tendência nacional, mas nunca uma verdade absoluta para cada motorista em cada situação.

O que torna essa leitura ainda mais complexa é que a regra dos 70% descreve uma média nacional, e a realidade no posto varia bastante por estado. O ICMS sobre combustíveis muda de uma unidade federativa para outra, com alíquotas que vão de 12% a 34% dependendo do estado e do tipo de combustível. A logística do etanol também não é uniforme: o combustível é mais barato perto das usinas do Centro-Sul, onde a produção se concentra, e fica mais caro conforme se afasta dessa região, devido aos custos de transporte e armazenamento. Um motorista em São Paulo ou Minas Gerais pode estar vendo uma relação de preços bem diferente da que um motorista no Nordeste ou Norte enfrenta na bomba.

Além da variação regional de preços, há a questão da sazonalidade da produção. A safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul, que responde por cerca de 90% da produção nacional de etanol, concentra-se entre abril e novembro. Fora desse período, a oferta de etanol tende a cair e os preços sobem, o que pode empurrar a razão de preços acima dos 70% mesmo em estados tradicionalmente competitivos para o combustível renovável. A semana de 6 de junho de 2026 está no meio da safra, o que sugere que a perda de competitividade do etanol neste momento não vem de escassez sazonal, mas de outros fatores, como a dinâmica de preços da gasolina ou a demanda por etanol no mercado interno e externo.

Por enquanto, a série estadual de preços da ANP ainda não está disponível para consulta pública, o que impede uma análise mais precisa de como a paridade varia por região. Quando essa informação for destravada, será possível saber com exatidão em quais estados o etanol continua compensando e em quais a gasolina já venceu de forma mais clara. No agregado nacional, porém, a fotografia da semana de 6 de junho de 2026 mostra que o etanol perdeu a vantagem de preço que tinha em semanas anteriores, e o motorista flex que busca economia no tanque encontra melhor retorno financeiro na gasolina comum.

Fonte. ANP_PRECO_ETANOL_BRASIL · ANP_PRECO_GASOLINA_BRASIL Reportar erro